PF terá esquema para levar presos da Hurricane a depoimento

A Polícia Federal não permitirá que os 21 réus da Operação Hurricane, que ainda estão presos e cujo processo passou a tramitar na 6ª Vara Federal do Rio de Janeiro por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), permaneçam na capital fluminense mais tempo que o necessário para participar das audiências do caso. Em aparente mostra de desconfiança no sistema de segurança e prisional do Estado, a PF vai montar um forte esquema de transporte e escolta que permita, no mesmo dia, levar os presos do Distrito Federal ao Rio, para as audiência presididas pela juíza Ana Paula Vieira de Carvalho, e de lá removê-los de volta a Brasília ou diretamente para o presídio federal de Campo Grande (MS). As audiências do processo serão cercadas de dificuldades. Está previsto que a cada dia, serão ouvidos três réus. A PF não dispõe, no Rio, de local para custódia - seus presos ficam no sistema prisional do Estado. Mas, por exigência da juíza, todos os acusados terão que estar presentes a cada ato do processo, para evitar a sua nulidade. A medida decorre de decisão do STF que determinou que o réu tem o direito de estar presente às sessões que envolvam o seu caso. Foi o que obrigou a Polícia Federal a recentemente levar do presídio federal de Catanduvas para o Rio o traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, para assistir depoimentos em casos em que é julgado. Os 21 acusados da Hurricane cujo processo foi para a 6ª Vara Federal continuam em Brasília. Eles só deverão ser levados para o Rio de Janeiro na quinta-feira, num esquema que envolverá inclusive um avião do DPF. Todos deverão ficar presos no presídio federal de Campo Grande, até o fim do processo ou até ordem judicial em contrário. Ainda não foi decidido se, após as audiências, os réus irão diretamente para lá. Entre os presos, estão os bicheiros Ailton Guimarães Jorge, o Capitão Guimarães, Aniz Abrahão David, o Anísio, e Antônio Petrus Kalil, o Turcão, além de Virgílio Medina, irmão do ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Paulo Medina. As acusações incluem corrupção e venda de decisões judiciais. No último sábado, o ministro Cezar Peluso, do STF, decidiu desmembrar o processo. Na parte que ficou com o Supremo, serão investigados os desembargadores federais José Eduardo Carreira Alvim e José Ricardo de Siqueira Regueira, o juiz do Trabalho de São Paulo Ernesto da Luz Pinto Doria e o procurador da República João Leal. Os quatro, que também estavam presos, foram libertados. O ministro Medina, que também é investigado pelo STF, teve sua prisão preventiva negada. Já os outros 21 réus, que cumpriam prisão temporária, com o desmembramento tiveram sua preventiva decretada pela 6ª Vara Federal. Problemas da transferência Entre as hipóteses em análise, está até a de levar e trazer todos de Brasília ao Rio durante os dias de depoimento. As principais preocupações da PF são com manifestações - entre os detidos, há pessoas conhecidas, como o presidente da escola de samba Beija-Flor, Anis Abrahão David - e a segurança dos presos. Outra hipótese em estudo é que eles permaneçam no Rio, em uma unidade das Forças Armadas, com vigilância de policiais federais. Outro fator que pode complicar o transporte dos presos é a determinação legal de que cada um deles tem direito a acompanhar o depoimento dos outros. Apesar da confirmação da PF de que a transferência deve ser feita na quarta, advogados dos detidos especulam que ela pode ser "antecipada" para a noite desta terça-feira, 24, porque há depoimentos marcados para a manhã do dia seguinte. Quando a operação foi deflagrada, no dia 13, a PF deteve 25 pessoas, mas, no último final de semana, ministro César Peluso, relator do caso no Supremo Tribunal Federal, determinou a libertação dos desembargadores José Eduardo Alvim e José Ricardo Carreira, do juiz do Tribunal Regional do Trabalho em Campinas Ernesto Dória e do procurador regional da República João Sérgio Leal. A Polícia Federal estuda monitorar por satélite o deslocamento dos presos pela Operação Hurricane no Rio de Janeiro, onde prestarão depoimento. A medida é um dos itens de segurança que os policiais pretendem adotar para evitar protestos e tentativas de resgate. Ainda não foi definido se o transporte dos 21 detidos será feito por meio de helicópteros ou automóveis. Nos dois casos, porém, a idéia é que o meio de locomoção tenha um sinalizador de localização.

Agencia Estado,

24 Abril 2007 | 17h21

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