PF usa núcleo de inteligência contra agentes corruptos

Um núcleo de inteligência de assuntos internos foi o meio encontrado pela Polícia Federal para diagnosticar irregularidades entre seus agentes. Assim, a PF identificou, a pedido do governador do Amazonas, Eduardo Braga (PSB), 25 policiais civis e um oficial da Polícia Militar envolvidos com extorsão, tráfico de drogas e roubo de carros. Apesar de o governo federal não admitir, a PF está realizando o mesmo trabalho em outros Estados. Quando assumiu a corporação no início do ano, o delegado aposentado Paulo Lacerda tinha diante de si um grande problema: punir seu ex-chefe e colega de trabalho Vicente Chelotti, também ex-dirigente da instituição. Dias depois, Chelotti recebeu uma suspensão de 60 dias. Outro delegado, o ex-diretor da Academia Nacional de Polícia (ANP) Edson Fidélis, ficou um mês sem exercer suas funções. Os dois foram acusados de emprestar armas da academia para uma empresa de segurança. Além dos delegados, um agente recebeu uma advertência. Ainda no início de sua gestão, Lacerda se deparou com outro escândalo: uma investigação sigilosa sobre agentes que facilitavam contrabando em Foz do Iguaçu (PR), na fronteira com o Paraguai. O trabalho da inteligência da PF resultou na prisão de 22 agentes, 4 funcionários da Receita Federal e 2 integrantes da Polícia Rodoviária Federal, além de 9 atravessadores. O próprio superintendente da PF no Estado foi demitido dias depois. Tanto Lacerda quanto o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, não admitem que a União esteja fazendo investigações paralelas nas polícias estaduais, a pedido dos próprios governadores. Mas fontes da PF afirmam que, da mesma forma como aconteceu no Rio - onde o diretor de inteligência da Secretaria da Segurança Pública é um delegado federal -, no Espírito Santo e no Amazonas, isso vem ocorrendo em outros Estados. Omissão "Hoje, existe uma omissão quase generalizada", afirmou Lacerda, referindo-se ao fato de policiais tomarem conhecimento de irregularidades de seus colegas e não denunciarem. É isso que o núcleo de inteligência interna pretende fazer. "Não podemos admitir que os policiais corruptos dominem, enquanto outros viram as costas." Para o diretor-geral da PF, em todas as polícias pelo menos 10% do quadro é formado por maus policiais, mas a tolerância dos colegas é bem maior. "Isso também é criminoso", disse Lacerda. Atualmente, a Corregedoria-Geral da PF possui pelo menos 200 processos. O próprio órgão se surpreendeu ao saber que entre os 22 agentes presos no Paraná, dois tinham sidos demitidos da instituição pelo mesmos motivos havia alguns anos. A próxima meta da PF é a Via Rápida - sistema de punição imediata de policiais infratores. O projeto deve ser enviado ainda este mês para análise do ministro da Justiça. Depois disso, será encaminhado ao Congresso. "A Via Rápida vai apressar a punição de funcionários públicos, mas a Polícia Federal já está cortando na própria carne", avaliou Thomaz Bastos.

Agencia Estado,

08 Junho 2003 | 20h24

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