PF usará banco de dados da Interpol

Brasil terá acesso a programa que facilita investigações de imagens

Solange Spigliatti e Daniela do Canto, O Estadao de S.Paulo

24 de setembro de 2008 | 00h00

A Polícia Federal poderá acessar, a partir de 2009, o banco de imagens da Interpol conhecido como Child Sexual Exploitation Image Database (ICSE), com o objetivo de combater a pedofilia. O ICSE será acessado pelo Sistema Mundial de Comunicação da Interpol conhecido como I-24/7 (Interpol 24 horas por dia, 7 dias por semana), que está integrado à rede de comunicação de dados da Polícia Federal. Os policiais deverão participar do treinamento ainda neste ano na Secretaria-Geral da instituição, em Lyon, França.Banco de imagens, o ICSE é uma iniciativa do G-8, grupo de países mais desenvolvidos do mundo, e contém imagens de situações de prováveis casos de pedofilia em que um programa faz confrontos com outras imagens para análise do ambiente, fornecendo evidências para a investigação.Segundo o delegado Jorge Pontes, coordenador-geral de Polícia Criminal Internacional da Polícia Federal, o acesso ao banco de imagens é um avanço considerável no combate à pedofilia. Pontes informa que cerca de 700 casos já foram elucidados graças à utilização do ICSE.A PF poderá realizar as tarefas típicas de um banco de imagens, como inserir, alterar e consultar imagens.CASOMães de dois meninos de 6 anos procuraram o 70º Distrito Policial, em Sapopemba, na zona leste de São Paulo, para denunciar um possível abuso sexual sofrido pelos filhos. A violência teria sido praticada por Paulo Gomes da Silva, casado com uma mulher que costumava cuidar dos meninos enquanto as mães trabalhavam.Às mães, os dois meninos contaram histórias idênticas sobre a violência cometida por Silva. Depois da denúncia, as duas crianças passaram por exames de corpo de delito e o resultado deve ficar pronto em cerca de 20 dias. Ameaçado por vizinhos, que queriam linchá-lo após descobrir os abusos, Silva foi à delegacia, mas foi liberado.A mãe de um dos meninos, uma cabeleireira de 41 anos, contou ter percebido algo estranho com o filho na semana passada. Só na consulta médica é que o menino falou o nome de quem o estava violentando. Preocupada, a cabeleireira procurou outra mãe que costumava deixar o filho com a mulher. O menino também deu detalhes dos abusos.

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