PF vai investigar se Maroni subornou major

Empresário admite que pagou R$ 10 mil para receber consultoria de militar reformado, mas negou propina a policiais para manter boate aberta

Bruno Tavares e Marcelo Godoy, O Estadao de S.Paulo

07 Setembro 2011 | 00h00

O Ministério Público Federal e a Polícia Federal vão investigar o suposto envolvimento de um major aposentado da Aeronáutica na liberação das obras do Oscar?s Hotel, de propriedade do empresário Oscar Maroni Filho. Preso desde 14 de agosto, sob acusação de favorecimento e exploração de prostituição, formação de quadrilha e tráfico de mulheres, Maroni negou ontem ter subornado policiais civis para não fecharem o Clube Bahamas, na zona sul de São Paulo, do qual também é sócio. "Não paguei propina e me ferrei. Fui preso quatro vezes." As suspeitas contra Maroni surgiram após o depoimento de uma ex-funcionária do Bahamas ao Ministério Público Estadual (MPE). Segundo ela, o empresário teria "contratado" uma falsa blitz por R$ 50 mil. O objetivo seria mostrar que no local funcionava um hotel - e não uma casa de prostituição. "Lá dentro existe sexo sim. Mas, para ser casa de prostituição, as meninas têm de morar e serem exploradas, o que não acontece", rebateu. "Minha boate existe há 27 anos e fui absolvido sete vezes pela Justiça." Seguindo as pistas fornecidas pela testemunha, o promotor José Carlos Guillen Blat descobriu que os peritos vistoriaram apenas umas das suítes do Bahamas, cujo hóspede era Marcelo Xavier dos Reis, estagiário de uma revista publicada pelo empresário. A mulher que acusa Maroni diz ainda que, no dia da falsa blitz, todos os funcionários do Bahamas foram orientados a trazerem objetos pessoais, para eliminar qualquer vestígio de que a boate era usada como ponto de prostituição. Os policiais do 27º Distrito Policial que investigavam as atividades do Bahamas teriam chegado ao local às 14 horas, de acordo com o depoimento de outro ex-funcionário. No boletim de ocorrência, no entanto, consta o horário de 21 horas, marcado à caneta. A mesma testemunha contou que um investigador chegou a pedir uma dose de uísque antes de inspecionar a boate. Para o promotor, há fortes indícios de favorecimento, corrupção ativa e passiva, fraude processual, falsidade ideológica e falsa perícia. "São suspeitas graves que precisam ser investigadas", afirmou Blat. Maroni diz que quem o acusa é uma ex-funcionária do Bahamas, demitida por justa causa em agosto de 2003. O empresário afirma que a mulher, que trabalhava no departamento pessoal de suas empresas, furtou documentos. Esses faziam parte do prontuário da funcionária. Na época, Maroni procurou o 27º DP, onde diz ter prestado queixa de furto. "Ela disse que ia se vingar de mim", afirmou. AERONÁUTICA O empresário contou ainda que deu um cheque de R$ 10 mil a um major aposentado da Aeronáutica, conforme disse a testemunha à Promotoria. Mas, segundo Maroni, o dinheiro serviu para pagar um trabalho de consultoria prestada pela empresa do oficial. Em seu depoimento ao MPE, a testemunha insinua que o valor serviu para ajudar na liberação do projeto do Oscar?s Hotel. Blat quer saber se houve tráfico de influência. CORREÇÃO Ao contrário do que informou o Estado em sua edição de sábado, dia 8 de setembro,o advogado Daniel Stein não defende o empresário Oscar Maroni Filho

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.