PF vai permitir porte de armas para agentes penitenciários

A Polícia Federal vai editar portarias concedendo emergencialmente licença para porte de armas aos agentes penitenciários de São Paulo, em razão da onda de violência contra a categoria, desencadeada pelo Primeiro Comando da Capital (PCC). A garantia foi dada no final da manhã desta quarta-feira, 5, pelo diretor-geral da Polícia Federal, Paulo Lacerda, ao senador Aloizio Mercadante (PT-SP) candidato ao governo de São Paulo, em audiência na PF. Segundo Mercadante, a situação se justifica, diante dos ataques sofridos pelos agentes, desde maio passado. Ele explicou que o estatuto do desarmamento prevê essa possibilidade. Os portes de arma serão concedidos individualmente. O agente ameaçado deve fazer a solicitação à Polícia Federal, justificando a necessidade de proteção.Pela lei em vigor, o agente penitenciário só pode usar armas dentro dos presídios ou em missão, não podendo levá-las para casa ou usá-las fora do expediente de trabalho.MortesQuatro agentes penitenciários foram mortos no Estado de São Paulo desde a semana passada. Na noite de domingo, 2, Otacílio do Couto, de 40 anos, que trabalhava no Centro de Detenção Provisória II do Belém, zona leste da capital, foi assassinado a caminho do serviço. Ele foi atacado enquanto conversava em um telefone público na região do Jaçanã, por volta das 20 horas. Mesmo levado ao pronto-socorro do Hospital São Luiz Gonzaga, no mesmo bairro, Otacílio não resistiu. Um outro ataque foi registrado no domingo. O agente penitenciário Joselito Francisco da Silva foi alvo de atiradores por volta das 21 horas na cidade de Guarulhos, na Grande São Paulo. O veículo de Silva - que trabalha no CDP de Guarulhos - foi atingido por vários tiros. O agente, no entanto, saiu ileso e decidiu não registrar a ocorrência.Na manhã do último sábado, o agente penitenciário Eduardo Rodrigues, de 41 anos, foi assassinado a tiros por dois criminosos no bairro Jardim Arpoador, zona oeste da capital paulista. Ele levou quatro tiros à queima roupa dentro de uma loja, onde havia levado sua TV para consertar.Na última quinta-feira, 29, o carcereiro Gilmar Francisco da Silva, de 40 anos, foi assassinado com sete tiros em frente a sua casa, no Jaraguá, zona oeste da capital. Segundo seus parentes, há quatro meses o agente penitenciário, que trabalhava no Cadeião Feminino de Pinheiros, vinha recebendo ameaças constantes de seus vizinhos devido a uma discussão com um grupo de usuários de drogas que viviam em sua rua. A Polícia Civil acredita que o PCC não esteja por trás de sua morte.Um dia antes, o carcereiro Nilton Celestino, de 41 anos, foi executado com dez tiros por integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC). Ele trabalhava no Centro de Detenção Provisória de Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo. Além dos quatro agentes mortos até o momento, outros nove foram mortos durante os ataques promovidos pelo PCC em maio.Na região de Campinas, dois agentes penitenciários que atuam no Complexo Campinas Hortolândia conseguiram escapar de tiros disparados por desconhecidos. O primeiro caso aconteceu na noite de sábado, 1.º, em Campinas, na vila Padre Anchieta, quando um agente chegava em casa em sua motocicleta. Ele desconfiou da presença de dois homens, também em uma moto que estavam estacionados nas proximidades. O agente saiu em alta velocidade e foi perseguido. A dupla efetuou vários disparos mas não conseguiu atingir o agente. Outro agente penitenciário, morador em Hortolândia, também escapou ileso na manhã de segunda, 3, quando dois homens fizeram vários disparos em sua direção.

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