PF vai retomar depoimento de acusados na Hurricane na 5ª

A Polícia Federal vai retomar na quinta-feira, 26, o depoimento de alguns acusados na Operação Hurricane (furacão, em inglês). O primeiro a depor na 6ª Vara Federal do Rio de Janeiro será o bicheiro Antonio Petrus Kalil, conhecido como "Turcão". Ele já foi intimado pela Justiça. Turcão, de 82 anos, está preso na carceragem da superintendência da Polícia Federal, em Brasília, e realiza exames no Hospital das Forças Armadas para investigar possível problema de fuga de memória. Segundo a PF, após depor, os detidos serão transferidos para a Penitenciária Federal de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. O bicheiro está no grupo dos 21 suspeitos que não possuem foro privilegiado e que vão ser investigados por um segundo inquérito, aberto por determinação do Ministério Público Federal. A prisão preventiva desses suspeitos foi aceita pela 6ª Vara Federal. Segundo a advogada Concita Ayres, a intimação judicial prevê o depoimento de Turcão a partir de quinta-feira. Portanto, a série de exames a que ele está sendo submetido deve terminar entre na terça-feira, 25, de acordo com sua advogada. Entre os 25 detidos inicialmente pela Operação Hurricane, estão contraventores, delegados e magistrados acusados de crimes como corrupção, tráfico de influência e envolvimento com jogos ilegais. Foi uma das maiores operações de combate à corrupção já realizadas no país, por causa do nível das pessoas envolvidas. Ao todo, quatro magistrados foram libertados, após um habeas corpus concedido pelo ministro Cezar Peluso, do STJ. Ministro denunciado O Procurador-Geral da República, Antonio Fernando de Souza, denunciou o ministro, no sábado, 21, pela prática dos crimes de formação de quadrilha, corrupção passiva e prevaricação. O procurador também pediu, a prisão do ministro, suspeito de integrar um suposto esquema comandado por bingueiros e donos de máquinas caça-níqueis, por comércio de sentenças judiciais em troca de propinas . O STF, no entanto, não autorizou a prisão. Além de Medina, também foram denunciados pelos mesmo crimes os desembargadores federais José Eduardo Carreira Alvim e José Ricardo de Siqueira Regueira, ambos do TRF-2ª Região, o desembargador Ernesto da Luz Pinto Dória, do TRT da 15ª Região, e o Procurador-Regional da República João Sérgio Leal Pereira. Os quatro magistrados, presos na Superintendência da PF, em Brasília, desde sexta-feira, 13, porém, foram soltos. Isso porque o ministro Peluso não converteu a prisão dos magistrados em prisões preventivas, que os deixaria mais tempo na cadeia. Investigação da PF Vários indícios amealhados pela PF, no entanto, convergem para o envolvimento do ministro Medina com os suspeitos. Seu irmão, o advogado Virgílio Medina, também preso pela Furacão, foi apontado pelos relatórios de Inteligência da PF, como um dos esteios do esquema. Uma das provas centrais seria uma sentença do próprio ministro favorável a liberação de máquinas caça-níqueis apreendidas pela polícia. De acordo com investigadores, são fortes as evidências que indicam, inclusive, para a existência de contas ilegais do advogado no exterior. As contas bancárias no exterior apareceram em uma página da agenda azul encontrada na mesa do escritório do advogado. Na página que marcava o dia 22 de maio de 2006 havia anotações para providências aparentemente rotineiras, como fechar contas no Banco do Brasil e no Citibank e transferir telefones residenciais. Mas a mesma página também lembra que é preciso "checar contas do ex", expressão decodificada pelos investigadores da Polícia Federal, como sendo "checar contas no exterior". Bloqueio de contas O Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou o bloqueio de contas dos 25 detidos e de seus familiares. O Estado apurou que pessoas ligadas à máfia do jogo já fizeram três tentativas de sacar R$ 4 milhões em agências bancárias do País. A PF divulgou que já sabe que ao menos um dos presos possui conta bancária no exterior, e há a suspeita de que outros quatro envolvidos no esquema sejam beneficiários de recursos depositados em paraíso fiscal. A operação Hurricane teve início em 13 de abril, quando 25 pessoas foram presas nos Estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia e no Distrito Federal, entre empresários, advogados, policiais civis e federais, magistrados e um membro do Ministério Público Federal, Paulo Medina. O objetivo é desarticular uma organização criminosa que atuava na exploração do jogo ilegal e cometia crimes contra a administração pública. As investigações sigilosas duraram um ano, ordenadas pelo ministro Cezar Peluso, do STF. Na operação, a PF apreendeu 30 carros de luxo, uma moto e uma grande quantidade de dinheiro - foi necessário um carro-forte para o transporte até uma agência da Caixa Econômica Federal. A máfia dos caça-níqueis comprava sentenças judiciais favoráveis para manter as casas de bingo em funcionamento no País, movimentava altas somas de dinheiro desde 2001, pelo menos. Nos últimos seis anos, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) produziu sete relatórios especiais sobre movimentações atípicas, envolvendo 80 pessoas, que movimentaram R$ 230 milhões. Dessas 80 listadas, 17 estão presas na PF de Brasília.

Agencia Estado,

23 Abril 2007 | 19h59

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