PFL afirma que não fará aliança com tucanos em 2010

O secretário-executivo do PFL, Saulo Queiroz, informou que a Executiva Nacional do partido, na reunião desta terça-feira, decidiu que, nas eleições de 2010, não repetirá a aliança com o PSDB."O PFL está consciente de que, se quiser sobreviver como partido, terá que correr com sua própria equipe e seu próprio carro. Não dá mais para fazer o papel de mecânico no box de outra escuderia", afirmou. Na mesma linha, o deputado eleito Alceni Guerra (PR) citou sua condição de médico para dizer que "não se pode errar o diagnóstico, sob risco de perder o paciente." Guerra propôs que o partido lance não apenas candidato a presidente da República, em 2010, mas também obrigue todos os diretórios municipais a disputarem as prefeituras com candidatos próprios. "Depois de perder uma eleição, o único remédio à altura é perder o medo da derrota. O PT se construiu assim", disse Alceni Guerra. OposiçãoA Executiva do PFL afirmou que continuará "a desempenhar seu papel na oposição, fiscalizando e denunciando com rigor e determinação os equívocos e erros do governo." A versão original da nota continha vários ataques ao governo e o qualificava de "incompetente e corrupto", mas, durante a reunião da Executiva, o senador Marco Maciel (PE) ponderou sobre a inconveniência de se começar a oposição ao segundo mandato em tom tão elevado, pois não haveria como aumentá-lo ao longo dos próximos quatro anos. Com isso, o texto final da nota acabou sendo suavizado e, no primeiro parágrafo, em vez de fazer críticas, o PFL reafirma que "acata e respeita a decisão do povo brasileiro, que elegeu, por meio do voto, quem exercerá o poder em seu nome." Em entrevista coletiva logo após a reunião, o presidente nacional do partido, senador Jorge Bornhausen (SC), afirmou que "o PFL não atravessará a rua" (entre o Congresso e o Palácio do Planalto) para dialogar com o presidente Lula. Segundo ele, a "trincheira" do PFL é o Congresso, onde o partido fará oposição a Lula como as urnas determinaram. Segundo Bornhausen, o partido poderá conversar com o presidente por meio dos líderes aliados ao governo no Congresso. "Não faremos nenhum papel de adesistas neste momento, o que seria repudiado pela sociedade, uma vez que o governo não mostrou competência nem respeito ao dinheiro público."RoseanaO processo disciplinar aberto pelo PFL contra a senadora Roseana Sarney (PFL-MA) por ter apoiado o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na campanha eleitoral não foi discutido pela Executiva, mas dirigentes pefelistas disseram à Agência Estado que, no entendimento deles, Roseana não terá mais espaço no partido. Eles acrescentaram que, como o PFL quer agora adotar contra o governo uma linha ainda mais combativa, a direção não vai mais tolerar posições dúbias.

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