PFL e PPS agem para reverter estrago com apoio de Garotinho

As cúpulas do PSDB, PFL e PPS montaram um operação de emergência para evitar que a crise aberta no Rio pela adesão do ex-governador Anthony Garotinho (PMDB) se amplie e desestabilize a campanha do candidato tucano à Presidência, Geraldo Alckmin. O objetivo é convencer o prefeito do Rio, César Maia (PFL), e a candidata do PPS ao governo fluminense, deputada Denise Frossard, a se reintegrarem à campanha nacional.Uma das providências será formalizar o apoio do PSDB do Rio a Frossard, que enfrenta no segundo turno o senador Sérgio Cabral, que concorre justamente pelo partido de Garotinho, o PMDB. "Isso é uma briga local entre César Maia e Garotinho. O que interessa agora é somar forças para eleger Alckmin no segundo turno", disse o presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE).O líder do PFL na Câmara, Rodrigo Maia (RJ), filho do prefeito do Rio, reagiu violentamente, afirmando que Alckmin está segurando "alça de caixão" e assegurando que Garotinho tem 60% de rejeição na capital e 50% no interior do Estado. "Alckmin foi usado por Garotinho", declarou o deputado. "Vou pedir voto para Alckmin com muito constrangimento."A reação de Rodrigo Maia e do prefeito - que decidiu se afastar da campanha nacional - deixou perplexos os tucanos, para quem Alckmin correu um risco calculado ao se aliar a Garotinho. Eles lembram que no primeiro turno o ex-governador declarou apoio à candidata do PSOL à Presidência, senadora Heloísa Helena (AL), e ela teve desempenho expressivo no Rio. Designado pela cúpula do PFL, o senador José Jorge (PE), que disputa a Vice-Presidência na chapa de Alckmin, vai desembarcar nesta quinta no Rio para conversar com César Maia.Já o presidente do PPS, deputado Roberto Freire (PE), assumiu a tarefa de procurar Frossard - que se declarou disposta a votar nulo no segundo turno da eleição presidencial. Freire fez duras críticas à atitude da candidata: "Denise se precipitou. Ninguém está se atrelando a Garotinho e não há nenhum compromisso de Alckmin com ele. Espero que Denise perceba que não há mudanças e que o importante é estar junto de Alckmin contra Sergio Cabral e Lula."Antes de se reunir com Bornhausen e Freire, Tasso teve uma conversa com a bancada do PSDB do Rio. O candidato tucano derrotado no primeiro turno no Estado, deputado Eduardo Paes, acha que Garotinho poderá ajudar Alckmin, principalmente na Baixada Fluminense onde a votação do PSDB na eleição presidencial foi baixa.Paes está empenhado em garantir o apoio de seu partido a Frossard. Resta, ainda, convencer o deputado estadual eleito José Camilo Zito (PSDB), ex-prefeito de Duque de Caxias e campeão de votos. "Garotinho não pediu nada. Só deu apoio", disse Paes, ao criticar César Maia. "O prefeito precisa ter grandeza neste momento. Eu acho Garotinho um horror e o critico, mas ele tem voto e não acho que seu apoio seja ruim."O apoio de Garotinho a Alckmin foi articulado pelo presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP). Segundo Tasso, seria um gesto "prepotente e soberbo" rejeitar a adesão. Na conversa com o presidenciável, Garotinho prometeu virar o jogo no Rio. "Ele não pediu absolutamente nada e nisso quero elogiá-lo", afirmou Tasso.

Agencia Estado,

05 de outubro de 2006 | 08h37

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