Pholia traz de volta o tempo das marchinhas

Se o tempo das marchinhas não volta mais, não se pode dizer o mesmo dos blocos de Carnaval. Eles têm seu lugar garantido no calendário de São Paulo: sempre uma semana antes dos desfiles das escolas de samba. Em sua 17ª edição, o Pholia, que acontece nas tardes deste sábado e domingo no Memorial da América Latina, com entrada grátis, é um ótimo aquecimento para o reinado de momo e um bom programa para aqueles que sentem saudade do Carnaval de rua. Uma dessas foliãs nostálgicas é dona Odete, coordenadora do Unidos da Melhor Idade. ?Quando eu era mais moça, minha mãe não me deixava desfilar, mas eu dava um jeitinho. Adoro Carnaval?, conta a aposentada de 62 anos. Agora, longe das rédeas da mãe, ela responde por um bloco de mil integrantes, que desfila na tarde de domingo uma homenagem à cantora Carmen Miranda. ?Todo ano a gente faz fantasias inspiradas em um grande nome da música de antigamente?, diz a coordenadora. Além de Carmen Miranda, os integrantes ?mais experientes? também vão encarnar outro personagem tradicional do Carnaval. ?Sempre tem lugar para o malandro, não é??, brinca dona Odete. Mas nem só de saudosismo é feito o Pholia. Um dos convidados da festa é a Escola de Samba Acadêmicos de São Paulo, criada por alunos da Universidade de São Paulo (USP). ?Como tudo é projetado para os blocos, vamos diminuir a escola. Pretendemos entrar no pholiódromo com mais ou menos mil pessoas?, afirma Dennis Rebouças, 30 anos, presidente da agremiação. De acordo com ele, só os carros alegóricos vão ficar de fora da brincadeira, pois mestre-sala e porta-bandeira, alas coreografadas, bateria e até um ?madrinho? farão o Memorial sacudir. ?Temos o nosso rei da bateria, o que desafia a normalidade dos desfiles. A madrinha da ala é a atriz Rosi Campos?, diz. Outra atração que é garantia de alegria no pholiódromo é o bloco Grito da Noite, de Santana do Parnaíba. O tradicional grupo apresenta seu samba de bumbo, paramentado com os cabeções de bonecos e coloridas roupas fantasmagóricas. ?Quem vai se apresentar no Memorial é a nossa nova geração, mas eles já estão se saindo tão bem quanto o Grito principal. Os componentes vão mostrar nossa batida, que é muito diferente do que o povo costuma ver?, conta Daniel Daher, o líder do bloco. Quietinhos também brincam Mesmo quem não é de nenhum bloco ou não gosta de se sentir no centro das atenções pode aproveitar o Pholia. A expectativa da Associação de Bandas, Blocos e Cordões Carnavalescos do Município de São Paulo (ABBC) é receber por volta de 60 mil pessoas, que vão conferir a performance de 11 blocos (cerca de 20 mil foliões).?Esse fim de semana vai ser importantíssimo para nós?, anima-se Orlando Secco, o presidente da ABBC. Para manter o espírito de carnaval aceso nos espectadores durante os dois dias de evento, a organização investiu em camarotes, arquibancadas, sanitários, posto médico e praça de alimentação. Outra novidade do Pholia é a participação especial de uma orquestra de frevo, ritmo que fez aniversário ontem. ?Conseguimos uma parceria com o Recife, o maior carnaval de rua do País. Vamos comemorar o centenário do frevo com a Orquestra Popular da Bomba do Hemetério, uma das melhores do gênero, e os dançarinos da Escola de Frevo do Recife?, orgulha-se Secco.

Agencia Estado,

10 Fevereiro 2007 | 12h27

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