PHS quer cargo, até no 'cemitério'

Partido terá candidato próprio à Presidência da República, mas fará aliança formal com o tucano Geraldo Alckmin em São Paulo

, O Estado de S.Paulo

24 de maio de 2010 | 00h00

O PSDB nem mesmo venceu a eleição deste ano ? que, por sinal, ainda não começou oficialmente ?, mas já passou a receber a fatura de alguns aliados na disputa estadual. Ao anunciar o apoio à candidatura de Geraldo Alckmin, o líder estadual do PHS, Tinha di Ferreira, pediu aos tucanos participação no governo, mesmo que seja para administrar "porta de cemitério".

Alckmin e os pré-candidatos ao Senado Aloysio Nunes Ferreira (PSDB) e Orestes Quércia (PMDB) participaram ontem do encontro do PHS, realizado na Assembleia paulista, onde foi confirmado o apoio do partido aos tucanos e o lançamento do pré-candidato à Presidência pela legenda, Oscar Silva.

"Se for dar porta de cemitério, então dá. Mas pode ser o da Vila Formosa, que é o segundo maior do mundo?", disse Ferreira, presidente da Comissão Diretora Regional Provisória do PHS. "É isso que o PHS quer", completou. Durante os discursos, os líderes do PHS pediram aos tucanos espaço na administração. "Participar não é só pagando ICMS e IPVA", disse Ferreira.

A aliança com o PHS agrega um tempo ínfimo de TV ? como o partido elegeu apenas dois deputados federais em 2006, eles têm direito a 3 segundos na TV por dia. Mas evita que o partido lance candidato próprio ao governo paulista, o que acabaria diminuindo o tempo de TV dos demais candidatos, inclusive Alckmin. Os tucanos também dizem que o PHS, embora pequeno, dá "capilaridade" à campanha.

Os integrantes da legenda, por outro lado, pediram aos tucanos ajuda para eleger um deputado federal por São Paulo ? infraestrutura de campanha, como o fornecimento de material.

"Fico feliz não só pelo lado eleitoral, mas porque é um apoio importante que vai nos ajudar na campanha. Mas também pelo lado político. A boa política é feita de bons princípios. E o PHS tem bons princípios", disse Alckmin.

"Eles têm uma boa chapa de deputados federais", declarou Sidney Beraldo, coordenador da campanha de Alckmin. O PHS pode fazer uma aliança com outros nanicos, com PSL, PTN e PMN, na chapa proporcional, a que elege os deputados.

Além do PHS, os tucanos têm buscado o apoio de outras legendas no Estado, como PMN e PTN, que também têm sido cortejados pelo PSB, de Paulo Skaf. Alckmin já tem garantidos cerca de 6,5 minutos na TV, em razão da aliança com PMDB, DEM, PPS e PSC. O adversário Aloizio Mercadante (PT) terá mais de 4 minutos, se tiver apoio do PDT, PC do B, PR, PT do B, PRB e PTC.

Adolescente. Ferreira também reclamou do fato de o seu partido, assim como outras legendas, ser chamado de nanico. "O PHS tem 12 anos. Estamos na pré-adolescência",disse.

"Então pediria à imprensa que não ficasse divulgando nos jornais: "partido nanico". Somos um partido pequeno, concordamos, mas não nanicos. Um dia vamos chegar a um PMDB, a um PSDB. Estamos começando bem. Temos até o cacique, cadê o cacique?", questionou Ferreira, chamando um líder indígena que integra o PHS.

Os líderes do PHS pediram empenho dos filiados no fortalecimento da sigla. "Não queira pegar o partido na cidade de vocês e colocar numa gavetinha. Esperar a eleição de prefeito chegar, para fazer os seus negocinhos, assinar sua carteirinha de trabalho e achar que está tudo bem. Não vamos deixar acontecer isso", disse Ferreira.

No encontro, os integrantes do PHS prometeram, se eleitos, acabar com o Imposto de Renda e o IPI. / JULIA DUAILIBI

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