Piauí também decreta calamidade

Mais de 20 cidades estão isoladas e 4 mil famílias, desabrigadas

Luciano Coelho, TERESINA, O Estadao de S.Paulo

01 de maio de 2009 | 00h00

Mais um Estado do Nordeste decretou estado de calamidade pública por causa das chuvas dos últimos dias. Ontem, o governador do Piauí, Wellington Dias (PT), recorreu à medida, como fez anteontem Roseana Sarney (PMDB), governadora do Maranhão. O prefeito de Teresina, Sílvio Mendes (PSDB), também decretou calamidade na capital e colegas de outros 15 municípios do Estado já anunciaram o estado de emergência. Estradas interditadas deixam 23 cidades isoladas. "As chuvas provocaram situações de desastres, ocasionando danos humanos e materiais. Tivemos de tomar essa providência (decretação do estado de calamidade) para reduzir a burocracia no atendimento às pessoas atingidas", explicou Mendes. Em Teresina, são oferecidos R$ 150, por meio do programa Família Acolhedora, a quem abrigar uma das 1.071 famílias afetadas. De acordo com a Secretaria Estadual de Defesa Civil, aproximadamente 3 mil famílias estão desabrigadas no interior - número que pode aumentar nos próximos dias. A Defesa Civil preparou um plano de contingência para distribuir medicamentos, alimentos, colchões, cobertores - a quantidade é considerada insuficiente. As famílias são encaminhadas para ginásios poliesportivos, galpões, associações e igrejas e, por enquanto, as aulas não foram suspensas em nenhum município.A Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf) informou que a Barragem de Boa Esperança, no Rio Parnaíba, transbordou, ultrapassando 100% da sua capacidade. As comportas terão de ser abertas, o que vai provocar ainda mais a elevação do nível da água, esperada em Teresina a partir do meio-dia de amanhã.AMAZÔNIADois dos municípios mais afetados pelas cheias no Amazonas são Caapiranga e Anamã, a cerca de 160 quilômetros de Manaus. No interior do Estado, são 20 mil as pessoas atingidas pelas chuvas e há pelos menos 250 famílias desabrigadas. As casas estão com água pela metade da altura. Em Anamã, pelo menos 5 mil dos 8 mil habitantes estão desabrigados. As cidades são o retrato da desolação: agricultores andam com água pela cintura, tentando salvar a lavoura. Plantações inteiras de juta, malva, mamão, banana e maracujá foram perdidas. No sul do Pará, um trecho da rodovia PA-150, no km 606, entre Sapucaia e Xinguara, afundou na manhã de anteontem por causa das chuvas. O tráfego foi bloqueado e restabelecido de forma precária na manhã de ontem, depois de a cratera receber brita. A fila de veículos atingiu mais de 10 km. Motoristas e caminhoneiros passaram a noite no local. "É a primeira vez que pego carga para cá e espero não voltar mais", disse Odécio Severiano, que segue para Minas. A PA-150 está cheia de crateras e com vários pontos sob risco de interdição desde Marabá até Paraupebas. Várias pontes correm risco de desabar. A rodovia é usada para escoar minérios. COLABORARAM LIÈGE ALBUQUERQUE e JOSÉ MARIA TOMAZELA

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