Piauí teme agora que doenças se alastrem

Com trégua nos temporais, rios já estão mais baixos; dia foi de limpeza

Ricardo Brandt, O Estadao de S.Paulo

08 de maio de 2009 | 00h00

A chuva deu trégua ao Piauí depois de cinco dias de estragos. O governo estadual e as prefeituras começaram ontem oficialmente o trabalho de recuperação dos danos provocados por uma das maiores enchentes da historia local. O alerta total é quanto aos riscos à saúde da população atingida e ao desabastecimento de combustível em Teresina.Depois de desabrigar 59 mil pessoas no Estado, deixar cidades isoladas e um rastro de estragos, as águas dos principais rios começaram a baixar. Em Teresina, que concentra a maior quantidade de atingidos (mais de 13 mil), as águas do Rio Poti aos poucos retornam ao seu leito. Surge uma cidade destruída e tomada pela lama. Ontem, equipes da prefeitura passaram o dia removendo o barro que, em algumas vias, chegou a formar camadas de 40 centímetros de espessura. Só ontem, a Avenida Raul Lopes, que fica na área mais nobre da cidade, o bairro do Jóquei Clube, deixou de estar submersa nas águas do rio transbordado. O trânsito permanecia interrompido para que as equipes da prefeitura removessem o barro. Os casos mais graves de asfalto estragado também começaram a ser mapeados para início da operação de recapeamento e reconstrução. Um diagnóstico com planos e metas foi exigido pelo prefeito de Teresina, Silvio Mendes (PSDB), para cada um de seus assessores e que deve ser apresentado na segunda-feira, antes de ele embarcar para Brasília, com o governador Wellington Dias (PT), para uma reunião com ministros. O prefeito calcula que esses trabalhos custarão aos cofres municipais pelo menos R$ 1 milhão nos próximos três meses.Apesar do estrago visível, a maior preocupação é com a saúde da população por causa de contaminações, inimigas que não podem ser simplesmente varridos. Doenças pós-enchente, como verminoses, complicações respiratórias, dermatites e, nos casos mais graves, hepatites e leptospirose, são a ameaça e passaram a ser monitoradas. "Demos início a essa segunda etapa que é a mais cansativa e difícil. Durante a primeira fase da emergência, com a comoção, as pessoas estão mais presentes e solidárias. Depois passa esse oba-oba", reclama o prefeito da capital.Daria Nogueira, diretora de Enfermagem do Pronto-Socorro do bairro Dirceu 2, onde a reportagem esteve, confirmou que todas as unidades estão em alerta para o aumento de ocorrências e confirmou que movimento está crescendo. Nos casos menos complexos, como desidratação e problemas de pele, o trabalho é mais simples. O problema são as doenças mais graves, aquelas em que o monitoramento preventivo por meio de exames laboratoriais é essencial. Preocupado com o problema, o governador liberou emergencialmente R$ 3,1 milhões para compra e envio de remédios para os abrigos e mandou aumentar de 17 mil para 35 mil o volume mensal de exames laboratoriais realizados para evitar o pior: casos de morte, ainda não registrados durante essa enchente. "Nossa preocupação maior agora será o cuidado com as pessoas atingidas e com as doenças que começam a surgir", afirmou Dias.A reportagem visitou abrigos onde estão as famílias e constatou que elas estão sendo acompanhadas por servidores da saúde, mas casos mais complexos ainda representam riscos (leia texto nesta página).A dengue também é outra preocupação, uma vez que muitas áreas estão ainda alagadas e com acúmulo de água e o período de calor começa agora no mês de maio.DESABASTECIMENTOUm dos reflexos da enchente que começaram a aparecer é o desabastecimento de postos de combustível. As chuvas provocaram, no início da semana, a interrupção de rodovias e das duas linhas férreas que servem para trazer combustível de Fortaleza e de São Luís para Teresina. As empresas de ônibus da capital alertaram ontem as autoridades que o óleo diesel disponível será suficiente para manter a frota nas ruas até este fim de semana. Anteontem, a própria prefeitura chegou a pedir o racionamento do uso de gasolina e diesel, para que não houvesse desabastecimento. Ontem, porém, o prefeito Mendes garantiu que uma das ligações férreas voltou a ser trafegável e que o combustível voltaria a ser entregue até o fim de semana. Mesmo assim, muitas pessoas correram para os postos para encher os tanques e, em alguns estabelecimentos, o diesel já não era encontrado ontem.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.