Pichações ofensivas a Suzane aparecem em sua casa

Os muros e os portões da casa dos Richthofen, no Campo Belo, zona sul de São Paulo, amanheceram pichados nesta sexta-feira com palavras de ofensa à filha do casal Marísia e Manfred, Suzane, acusada de participar do assassinato dos pais.No dia da reconstituição do crime, ela chegou a ser agredida por pessoas que se aglomeravam na frente da casa. Os dois fatos, entretanto, devem ser analisados separadamente, na opinião do psiquiatra infantil Haim Grunspum."Essa pichação foi feita por gangues que querem chamar a atenção. Já a manifestação popular é comum num caso como esse", explica. Ele acrescenta que é necessário evitar a confusão entre julgamento e manifestação. "A condenação tem de ser feita pelo Poder Judiciário."Grunspum mostra-se preocupado ainda com a superexposição de Andreas, o filho mais novo do casal. "Ele já é uma vítima, e não sabemos como isso vai desaparecer. É necessário que ele consiga fazer uma aliança verdadeira com um terapeuta, que é o único que guardará os segredos dele."O psicólogo Jacob Pinheiro Goldberg chama a atenção para outro fato: Andreas ainda não teve o tempo para absorver e analisar os sentimentos comuns num caso como esse. Ele também aponta a superexposição do adolescente como um fator preocupante. "Isso me parece danoso", diz Goldberg, autor do livro Psicologia da Agressividade.Para ele, é necessário preservá-lo. "Há correntes no Direito Penal que admitem, por exemplo, que o sobrenome seja trocado para preservar o envolvido em casos como esse", diz.Já o psicanalista Bernardo Tanis sugere um debate mais genérico. "A conduta mais correta seria falar sobre o tema, não sobre as pessoas."Acompanhe toda a história nos links abaixo. » 31/10: Casal é assassinado no Campo Belo » 1/11: Para vizinhos, casal era "simpático e reservado" » 2/11: Policiais investigam namorado e filha do casal » 4/11: Filha do casal depõe pela segunda vez » 5/11: Polícia volta à mansão do casal assassinado » 6/11: Para Polícia, casal foi assassinado por vingança » 7/11: Preso o irmão do namorado da filha » 8/11: Pedida prisão de suspeito de matar o casal » 8/11: A Polícia conclui: Suzane, a filha, tramou o assassinato » 8/11: Assassinos do casal têm prisão provisória decretada » 8/11: Polícia encontra material furtado da mansão do casal » 8/11: Suzane era meiga e quieta, dizem colegas » 8/11: Richthofen era homem-chave do Rodoanel » 8/11: Matam os pais e não mostram remorso » 8/11: Especialistas acreditam em "distúrbio mental" » 8/11: Casal queria mandar a filha para a Alemanha » 9/11: "Cheguei a pensar em desistir, mas já não tinha volta", disse Suzane » 10/11: ?Eu estava com raiva?, diz Suzane para presas » 10/11: Pena por morte de casal pode chegar a 50 anos » 10/11: Procurador diz que Andreas perdoa Suzane » 10/11: Polícia ainda procura armas do assassinato dos Richthofen » 11/11: Autores do crime não participarão da reconstituição, diz advogado » 11/11: Amor à moda antiga » 11/11: Promotor admite que Suzane ajudou a espancar os pais » 12/11: Um dos autores da morte de casal sofreu assalto » 12/11: Andreas deseja rever irmã o mais breve possível » 12/11: Família de Suzane vai acusar Daniel e Christian » 13/11: Reconstituição esclareceu "pontos obscuros » 13/11: Multidão agride Suzane, Daniel e Christian e os chama de "assassinos" » 13/11: Andreas reencontra irmã na reconstituição do crime

Agencia Estado,

15 de novembro de 2002 | 23h00

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