Pichador do Cristo vai responder por dois crimes em liberdade

Paulo Souza dos Santos procurou ajuda de pastor da igreja evangélica Assembleia de Deus dos Últimos Dias para se entregar à polícia

Bruno Boghossian, de O Estado de S. Paulo

22 de abril de 2010 | 17h54

 

RIO - Um dos pichadores da estátua do Cristo Redentor, o pintor de paredes Paulo Souza dos Santos, de 28 anos, foi indiciado nesta quinta-feira, 22, por crime ambiental e injúria por preconceito, mas vai responder ao inquérito em liberdade. Santos se apresentou nesta manhã à Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA), na zona norte do Rio, onde prestou depoimento por cerca de três horas. O pintor reafirmou que quis fazer apenas um protesto para lembrar pessoas desaparecidas e pediu desculpas à população.

 

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"Não imaginei que o caso causaria essa repercussão toda. A minha ideia era só fazer um protesto. Sou católico e não tenho preconceito com outras religiões", afirmou Santos, ao lado do pastor Marcos Pereira, da igreja evangélica Assembleia de Deus dos Últimos Dias (Adud), que articulou a apresentação do pintor à polícia. "Peço perdão a toda a população do Rio de Janeiro, do Brasil e do mundo."

 

Apesar da declaração do pichador de que não teve a intenção de desrespeitar a imagem do Cristo Redentor, a delegada-titular da DPMA, Juliana Emerique, informou que o crime de injúria também fará parte do inquérito. "Ele alegou que realmente não foi nenhum ato discriminatório a qualquer tipo de religião, mas vai responder pelos dois delitos", disse.

 

A pena para o crime de injúria por discriminação é de um a três anos de reclusão e multa. Para pichação em monumento tombado, que caracteriza crime ambiental, a pena é de seis meses a um ano de prisão, além de multa.

 

A delegada acredita, no entanto, que Santos deve prestar serviços comunitários pelo segundo delito. "Estamos diante de crimes cometidos sem violência ou grave ameaça, então podemos ter a substituição dessa pena por uma prestação de serviços, que pode ser até a limpeza de outras pichações."

 

Santos foi identificado por investigadores da DPMA e da 9ª DP (Catete) pela assinatura "Aids", feita ao lado das frases de protesto pichadas na estátua do Cristo no dia 14. A polícia espera ouvir, na segunda-feira, o depoimento de outro pichador, Edmar Batista de Carvalho, amigo de Santos e identificado pela assinatura "Zabo". Ele também teria entrado em contato com o pastor Marcos Pereira para se apresentar espontaneamente.

 

A delegada descartou o indiciamento dos pichadores por formação de quadrilha, mas afirmou que vai apurar a participação dos dois em grupos que danificaram túmulos e outros monumentos. "Temos um inquérito em relação a grupos de pichadores em outras circunstâncias. Foi detectado que túmulos também tinham essa escritura `Aids', mas ele (Santos) alega que outras pessoas podem pichar com a mesma assinatura", explicou Emerique.

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