Pichadora da Bienal ganha liberdade

TJ reconsiderou pedido de habeas corpus de Caroline, após 53 dias de prisão; ela foi única detida em protesto

Marcela Spinosa, O Estadao de S.Paulo

20 de dezembro de 2008 | 00h00

A pichadora Caroline Pivetta Mota, de 24 anos, foi libertada ontem após ficar 53 dias presa na Penitenciária Feminina de Sant?Anna, na zona norte de São Paulo. Anteontem, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) reconsiderou o pedido de habeas corpus feito pela defesa - duas solicitações haviam sido negadas porque não foram apresentados os antecedentes criminais nem comprovante de residência. O mérito do habeas corpus ainda será julgado.A jovem foi presa em flagrante em 26 de outubro ao pichar o "andar vazio" da 28ª edição da Bienal de São Paulo, no Parque do Ibirapuera. Caroline saiu da penitenciária às 10 horas no carro de seu advogado, Augusto de Arruda Botelho. Vestia a mesma roupa que usava quando foi presa: regata roxa e calça jeans. A pichadora não falou com a imprensa - apenas sorriu e acenou para um amigo que a aguardava fora da prisão. De dentro do carro, Caroline fez gestos obscenos aos jornalistas e mostrou uma folha sulfite onde estavam escritas as mensagens: "Feliz 2009", "Ódio", "Mais uma presidiária" e o nome "Sustos", grupo de pichadores do qual faz parte. À tarde, ela viajou com a mãe para Porto Alegre, onde nasceu.Foi com o grupo Sustos e com outros 40 jovens que Caroline entrou na Bienal. Enquadrada no crime de destruição de patrimônio cultural, pode pegar de um a três anos de prisão. O advogado de defesa considera "absurdo" Caroline ter ficado tanto tempo presa. "Foi um abuso, uma ilegalidade e uma afronta crucial aos direitos humanos." Ele diz acreditar na absolvição da jovem.Caroline também é processada por dano ao patrimônio pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo, na zona sul, que teve as dependências pichadas em julho por um grupo de 50 jovens. Ela foi levada à delegacia e liberada em seguida. Dois meses depois, ela participou do ataque a obras da galeria Choque Cultural, na Vila Madalena, zona oeste. Há outros cinco boletins de ocorrência registrados contra ela.

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