Pijama dividiu espaço com roupas de Carmen Miranda

A museóloga Helena Lúcia Antunes Cardoso - que agora cuida do acervo de Carmen Miranda - conta como foi o trabalho de restauração do pijama do ex-presidente Getúlio Vargas. "No meu ateliê, havia roupas de Carmen Miranda ao lado do pijama. É interessante porque eles foram contemporâneos. O pijama do Getúlio Vargas é um fato histórico, o registro da morte. É bem diferente de lidar com peças dela, que trazem alegria", diz Helena. Qual foi a parte mais difícil? Não perder as marcas. Nenhum elemento deve ser retirado. Optei por manter as manchas de sangue, e não usamos produtos químicos. É uma peça muito importante, que carrega história e precisa receber atenção. Para removê-la do corpo, já rígido, foi cortada com tesoura. É mais uma história que a roupa conta. Foi costurada com linha e agulha, voltou a ter dignidade, mas essas marcas não foram Escondidas. Como um pijama usado pela última vez há 55 anos se mantém? Os têxteis são resistentes, de um modo geral. Mas devem ser cuidados. O pijama poderá ficar exposto no máximo por 3 meses, depois voltará para a reserva técnica, onde ficará por 9 meses, no mínimo, dentro de uma caixa preparada. Depois, ele aparece de novo, por mais 3 meses, e volta para a reserva. Essa rotatividade é necessária. Houve uma licitação para escolher o melhor projeto. Por que o seu foi vitorioso? Acredito que foi por causa da proposta de manter todos os registros, de não eliminar, não ocultar nada. Trabalhei com muita delicadeza. É uma peça que emociona. Foi um trabalho muito bonito.

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