Piloto confunde faíscas com balas traçantes de fuzil

Um piloto que sobrevoava o município de Duque de Caxias em direção ao Aeroporto Internacional Tom Jobim avisou à torre de controle de que balas traçantes de fuzil cruzavam o seu caminho, ontem à noite. Acionada, a Polícia Militar afirma que uma pista do aeroporto chegou a ser fechada, o que é negado pela Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero), administradora do aeroporto. Tudo engano: as "balas traçantes" eram faíscas que se desprenderam de uma casa em chamas na favela Parque das Missões, em Caxias, segundo informou o comandante do 15º Batalhão da PM, Dinaldo Macedo.Macedo contou que recebeu um telefonema do Setor de Controle de Vôo por volta das 22h. "Eles avisaram que um piloto teve de mudar a rota por causa das balas traçantes e que uma pista estava fechada. Mandei checar, mas não era nada", contou o comandante. Segundo Macedo, o piloto se assustou com as faíscas provocadas pelo incêndio. "Ali, o avião passa baixo. Ele viu as faíscas do incêndio espalhadas pelo vento do avião", disse.O oficial disse ainda que na área do 15º BPM houve dois confrontos na noite de quinta-feira, um na Favela Vila Ideal e outro na Favela Santa Lúcia, mas em nenhum dos dois embates teria havido disparo de balas traçantes. As duas favelas ficam longe da rota de vôo dos aviões, segundo Macedo.Apesar de ter sido apenas um equívoco, o temor do piloto é justificado. Um antigo funcionário da Varig contou reservadamente que há dois anos uma aeronave da companhia apareceu com marcas de balas. Antes de pousar no Tom Jobim, os pilotos têm de sobrevoar favelas de Duque de Caxias ocupadas pelo tráfico. Entre elas, a Beira-Mar, controlada por Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar. A assessoria de imprensa da Infraero, que administra o Tom Jobim, confirmou que houve o "alarme falso", mas informou que o piloto havia confundido fogos de artifício com as balas traçantes. A assessoria negou que a pista tenha sido fechada e que a rota tenha sido mudada, e não informou com qual vôo ocorreu o incidente.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.