Piloto da TAM é a 187ª vítima da tragédia

Marcos Stepanski, de 27 anos, embarcou sem fazer check-in

Elder Ogliari e Valéria França, O Estadao de S.Paulo

21 de julho de 2007 | 00h00

Depois de quatro dias de angústia, finalmente a família Stepanski conseguiu a confirmação da TAM de que Marcos, de 27 anos, estava no vôo JJ 3054. Ele é a 187ª vítima da tragédia. Até o final da tarde de ontem, seu nome constava na lista de desaparecidos. "A TAM não queria confirmar porque o avião estava com excesso de passageiros. E o seguro não pagaria a indenização", diz sua avó postiça Alba Stepanski, mulher de João, que é avô de Marcos. A família não tinha dúvida de que Marcos estava no avião. "A noiva dele foi levá-lo ao Aeroporto Salgado Filho", conta Alba. "Mesmo assim, a TAM só reconheceu Marcos como passageiro depois de conseguirmos uma fita de vídeo do aeroporto, onde ele aparecia na escada de embarque do avião."A confusão pode ter sido gerada por uma prática comum na aviação. "Mesmo quando não estão na tripulação de um vôo, os pilotos muitas vezes embarcam sem cartão, deixam apenas o nome e o número do crachá. Mas é preciso ter um assento vago na aeronave", diz Leonardo de Souza, diretor do Sindicato dos Aeronautas. Contratado há 3 meses pela TAM, Marcos viajou na condição de "não-operante" para São Paulo, onde faria uma prova. Se aprovado passaria de piloto de aparelhos pequenos a co-piloto de Airbus.O avô do piloto elogiou o neto como "um garoto fantástico", que foi levado pelos desígnios de Deus. Sugeriu que as conexões sejam mais distribuídas pelo País e os controladores tenham aumento de salário. Apesar da tragédia, João Stepanski afirma que a aviação é segura. Ele mesmo trabalhou na Varig por 42 anos e como piloto voou pelo mundo por mais de 33 mil horas até se aposentar. "Bati com o trem de pouso naquele morro de Congonhas, em 1949. Conseguimos arremeter o avião e depois pousamos de barriga", conta ele, que na época era co-piloto. "Ali bate uma corrente que chamamos de vento-tesoura, o mesmo que levanta a saia das mulheres na rua, mas na aviação atrapalha o pouso e a decolagem." Ele transmitiu o amor pela profissão a dois filhos, inclusive o pai de Marcos, o piloto Carlos Henrique.O uniforme de Marcos continua pendurado na casa onde morava com os pais em Porto Alegre. A mãe, Carmem Vera, está em estado do choque. Passa a maior parte do tempo sedada, e quando acorda não pára de chorar. O pai, Carlos Henrique, está em São Paulo, esperando que o corpo seja encontrado. Descendente de polonês, olhos verdes e 1,80 m de altura, Marcos tinha uma irmã gêmea, Luciana. Até as 21 horas de ontem o IML havia identificado 41 corpos - pelo menos 16 deles eram de gaúchos ou moradores do Rio Grande do Sul. A partir de hoje, peritos iriam aos hotéis colher sangue de parentes das vítimas, para que elas pudessem voltar às suas casas.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.