Polícia Militar de Goiás/Divulgação
Polícia Militar de Goiás/Divulgação

Piloto de avião interceptado com cocaína indicou plano de voo falso

Apoena Índio do Brasil disse à PF que aeronave decolou da Bolívia, e não de uma fazenda de MT pertencente a Blairo Maggi

Marília Assunção, Especial para o Estado

27 de junho de 2017 | 13h47

GOIÂNIA - Os dois homens que estavam no avião com mais de 600 quilos de cocaína interceptado pela Força Aérea Brasileira (FAB) no domingo, 25, indicaram um plano de voo falso. A informação foi divulgada pelo delegado da Polícia Federal (PF) Bruno Gama, em Goiânia, para onde foram trazidos o piloto, Apoena Índio do Brasil, e o copiloto, Fabiano Júnior da Silva. 

A dupla foi presa na noite desta segunda-feira, 26, na cidade de Itapirapuã, em Goiás, na mesma região onde fizeram o pouso forçado no domingo, em uma pista de Jussara, após desobedecerem ordem para pousar em Aragarças, na divisa com o Mato Grosso. A FAB determinou o disparo de um tiro de aviso que não atingiu o avião.

Diferentemente do indicado no plano de voo, ao delegado o piloto teria dito que decolou de um local na Bolívia, e não de uma fazenda de Mato Grosso pertencente ao ministro da Agricultura, Blairo Maggi.

Ainda no depoimento, ele teria afirmado que o pouso seria em uma fazenda de Jussara e que o transporte da carga lhe renderia R$ 90 mil. Já o copiloto teria confessado que era o dono da droga, avaliada pela PF em mais de R$ 20 milhões.

Voo

Os dois homens foram denunciados por pessoas que suspeitaram quando eles deram entrada em um hotel de Jussara, distante cerca de 30 quilômetros do local do pouso. Eles sobreviveram ao pouso forçado que destruiu o bimotor PT IIJ após interceptação de um Super Tucano da FAB, durante a Operação Ostium, que combate voos que alimentam as redes de narcotráfico. 

Assim que foi noticiado o local indicado da decolagem no mapa de voo, a empresa que arrenda a fazenda citada nele, o Grupo Amaggi, e o ministro Blairo Maggi, dono da propriedade, manifestaram-se e negaram conhecimento do caso.

A PF se concentra agora na identificação real do plano de voo e do proprietário do bimotor e da droga, informação que será repassada à FAB.

 

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