Piloto de avião que caiu no AM avisou que havia 20 passageiros

Aeronáutica agora investiga porque Cesar Grieger informou à torre de controle quantidade menor que a real

Liège Albuquerque, O Estado de S.Paulo

13 Fevereiro 2009 | 20h27

O piloto Cesar Leonel Grieger, de 47 anos, que conduzia o Bandeirante que caiu no Rio Manacapuru matando 24 de seus 28 ocupantes, avisou à torre que transportava apenas 20 passageiros. "Não sabemos por que ele teria passado o número errado de passageiros. Não descartamos a hipótese de ele não saber quantos estavam a bordo. Mas se ele não sabia, precisamos saber a causa disso", afirmou o coordenador da comissão que investiga o acidente, o tenente coronel Vladimir Passos, do Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Seripa).   Veja também:  FAB deve reassumir controle de aviação na Amazônia Confira a lista de passageiros e tripulantes  Todas as notícias publicadas sobre o acidente    O manual oficial da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) aponta que o modelo Bandeirante idêntico ao que caiu tem a capacidade para 19 passageiros. A vistoria feita por técnicos nas malas das vítimas do acidente apontou que uma mala continha R$ 116 e outra US$ 1,4 mil, ambas do piloto. A reportagem tentou entrar em contato com a viúva do piloto, Célia, mas não obteve resposta, em busca de explicações sobre a origem dos dólares.   Segundo a assessoria da Polícia Civil, na próxima semana as malas já estarão liberadas para os familiares dos mortos. Nas outras bagagens, somente objetos pessoais teriam sido encontrados, como roupas e produtos de higiene.   De acordo com Passos, outra informação importante já é de que o local onde caiu o avião fica a apenas um quilômetro de distância da cabeceira de uma pista de pouso desativada. "O piloto tinha 23 anos de experiência, um gaúcho que conhecia a Amazônia e todas as pistas, não sabemos o que pode ter impedido esse pouso". Passos informou que não há prazo para a apresentação do relatório que mostrará as causas da queda do Bandeirante. "Com a abertura do motor da aeronave, muitas respostas vão ser respondidas", afirmou.   Há dois dias chegaram a Manaus partes da fuselagem do avião para serem analisadas por uma comissão de técnicos especialistas em segurança e prevenção de acidentes aéreos, formada por técnicos do Seripa, Manaus Aerotáxi, da seguradora do avião e do fabricante da aeronave, a Empresa Brasileira de Aeronáutica S.A. (Embraer). A comissão solicitou ao Cindacta 4, que controla as torres dos aeroportos de Manaus, um relatório sobre as condições meteorológicas no dia do acidente.   De acordo com Passos, um médico deverá integrar a comissão, para analisar os laudos do Instituto Médico Legal (IML). "Estranhamos, por exemplo, que não há o peso dos corpos nos relatórios", disse. "O laudo cadavérico é importante para verificar a extensão do impacto no corpo das vítimas", destacou Passos. O dado seria importante ainda na investigação de uma das hipóteses da queda, a superlotação do avião.

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