Piloto de helicóptero abatido no Rio se desculpa por incidente

'Era a minha equipe', diz capitão Marcelo Vaz; emocionado, policial relembrou episódio em missa das vítimas

Clarissa Thomé, O Estado de S. Paulo

23 de outubro de 2009 | 14h57

O capitão Marcelo Vaz, de 38 anos, que pilotava o helicóptero abatido por traficantes no sábado, contou nesta sexta-feira, 23, que a aeronave caiu em 90 segundos, depois de ser alvejada por traficantes, quando sobrevoava o Morro São João. Emocionado e abatido, o policial pediu desculpas às famílias dos três policiais mortos no acidente.

 

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"Eu era o comandante. Era a minha equipe", afirmou. Vaz e o co-piloto, o capitão Marcelo Mendes, participaram de uma missa em memória das vítimas da queda do helicóptero, o cabo Izo Gomes Patrício e os soldados Edney Canazarro de Oliveira e Marcos Standler Macedo. O sexto tripulante, o cabo Anderson Fernandes dos Santos permanece internado no setor de tratamento de Queimados do Hospital da Aeronáutica e seu estado é considerado estável.

 

Vaz contou que sentiu o momento em que o helicóptero foi alvejado, quando fazia o terceiro sobrevoo pelo morro. Ele ouviu os gritos dos companheiros, que haviam sido baleados e avisavam de que havia chamas. Ele disse que procurou abstrair e focar no pouso, sem afetar casas da região. O piloto acabou achando um campo de futebol.

 

Ele disse que o helicóptero não bateu nem explodiu. O capitão conseguiu pousar sem o motor funcionando, após fazer uma manobra chamada de auto-rotação. Ao aterrissar, o helicóptero tombou à esquerda. "O fogo consumiu rapidamente", afirmou Vaz.

 

Ele, Mendes e Patrício, que havia sido baleado e morreu três dias depois do acidente, conseguiram deixar o helicóptero. "O cabo Fernandes ficou próximo à aeronave. Eu consegui arrastá-lo para um ponto mais seguro. Infelizmente, o soldado Canazarro e o soldado Standler não conseguiram sair."

 

Vaz tem 38 anos e é piloto da polícia há seis. Ontem ele voou pela primeira vez depois do acidente. Disse que sentiu um certo "desconforto", mas garantiu que voltará a sobrevoar locais de risco. "É a minha profissão", afirmou o policial, que está sob acompanhamento psicológico.

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