Piloto diz estar 'sem condições físicas' e cancela decolagem

Voo sairia de Confins mas atrasou por causa de mau tempo; jornada de trabalho diária foi extrapolada e comandante preferiu não voar

Mônica Reolom, O Estado de S. Paulo

28 de novembro de 2014 | 16h55

SÃO PAULO - O piloto de um avião da Gol afirmou que estava "sem condições físicas" e cancelou o voo que faria entre o Aeroporto de Confins, na região metropolitana de Belo Horizonte, e o Aeroporto Santos Dumont, no Rio.

O voo de número 2125 estava previsto para as 20h15 de segunda-feira, 24, mas atrasou por causa do mau tempo no destino. Os 115 passageiros conseguiram embarcar apenas às 23h e estavam dentro da aeronave havia cerca de 50 minutos quando o piloto anunciou no sistema de voz que não seguiria viagem. O caso foi revelado pelo Jornal da Band nesta quinta-feira, 27.

"Vou ser sincero com todos vocês: eu não tenho nem mais reflexos. Eu não tenho mais condições físicas", afirmou o comandante. Um dos passageiros filmou o momento do anúncio. "A legislação brasileira é bem clara. Existe um limite de jornada possível para os pilotos e os comissários", explicou. Alguns passageiros bateram palmas pela atitude do piloto. 

Segundo a legislação, a tripulação, que envolve pilotos e comissários, só pode trabalhar até 12 horas por dia. Se extrapolar esse limite, outra equipe deve ser acionada para substituí-la. As empresas aéreas nem sempre têm uma equipe "de reserva" em casos de problemas por condições meteorológicas, o que acaba causando um dominó de voos atrasados.

Aprovação. A Gol aprovou a conduta do piloto: "O comandante decidiu corretamente interromper a jornada dos tripulantes a bordo, informando aos clientes sobre a regulamentação da categoria", disse a empresa em nota. "A companhia aplica permanentemente o monitoramento e controle das jornadas de trabalho de seus colaboradores e desenvolve programas de gerenciamento de fadiga alinhados às melhores práticas da indústria da aviação mundial".

Os passageiros foram acomodados pela companhia em hotéis e só conseguiram seguir viagem com sete horas de atraso. A Gol pediu desculpas pelo desconforto e ressaltou que alterações nos horários e trajetos de voos são muitas vezes necessários para garantir a segurança dos ocupantes.

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