Piloto diz que o sequestrador premeditou ação

Instrutor diz que não conseguiu ver arma, mas correu com medo de morrer, e lamentou morte de menina

Felipe Recondo, O Estadao de S.Paulo

14 de março de 2009 | 00h00

Em depoimento ontem à Polícia Civil de Luziânia (GO), o instrutor de voo José Luiz Gonçalves Filho afirmou que Kleber Barbosa da Silva premeditou todos os detalhes do sequestro da aeronave. Gonçalves disse estar aliviado por estar vivo e triste porque não teve chance de salvar Penélope Barbosa, a menina de 5 anos que também morreu na queda.   Assista ao vídeo do avião momentos antes da queda Silva chegou ao aeroclube de Luziânia por volta das 16 horas da quinta-feira, depois de tentar matar a mulher, Erica Barbosa Correia, acertando-a com um extintor de incêndio. Ele levava a filha, que não demonstrava medo, para um voo panorâmico pela região. Negociou o valor com a direção do aeroclube e se dirigiu à pista de decolagem. Poderia escolher entre duas aeronaves. Optou pela que tinha maior autonomia: o Tupi pode voar por cinco horas seguidas e percorrer até 1 mil km.Antes da checagem de rotina da aeronave, Gonçalves conversou rapidamente com Silva e soube que ele gostava de aeromodelismo. A menina permanecia quieta. O piloto colocou Penélope dentro do avião, no banco de trás, e apertou o cinto de segurança da menina. Antes de entrar no avião, Silva perguntou para o instrutor se poderia viajar na cadeira que normalmente é do piloto. "Ele disse que aproveitaria melhor o voo", explicou. Gonçalves concordou e Silva ocupou o assento próximo à única porta. "Ele soube manipular muito bem a situação."Quando o avião taxiava pela pista e se aproximava da hora de decolar, o sequestrador agiu. Segurou o braço esquerdo do piloto e encostou em seu pescoço um objeto que o piloto supôs ser uma arma. "Eu não consegui ver", disse. Nesse momento, anunciou que aquilo era um sequestro e mandou o piloto descer. "Você quer morrer? Eu já matei um hoje", gritou. "Eu desci e corri, com medo de que ele atirasse nas minhas costas."Gonçalves soube da notícia da queda em Goiânia pelo telefone. "Quando me ligaram, disseram que o avião tinha caído e a menina havia morrido. Foi o que mais me chocou. Eu poderia ter falado para deixar a garota, mas foi tudo muito rápido." Apesar de ainda aparentar estar abatido com o assalto e com a morte de Penélope, o piloto se disse aliviado. "Ele poupou a minha vida."NEGLIGÊNCIAO delegado da Polícia Civil Fabiano Medeiros, responsável pela investigação do roubo do avião, em Luziânia, adiantou que pode responsabilizar funcionários do aeroclube pela falta de segurança. Nenhum passageiro precisa apresentar documentos ou passar por revista antes da decolagem. O vice-presidente do aeroclube, Omar Victor do Espírito Santo, argumentou que a Anac não obriga a identificação dos passageiros de voos panorâmicos nem outras medidas de segurança mais rígidas. "Isto aqui não é o aeroporto de Brasília, com Polícia Federal, Receita Federal. É um aeroporto no interior de Goiás." A Anac contesta as informações.

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