Piloto do Boeing da Gol é enterrado em Brasília

Cerca de 300 pessoas acompanharam na manhã deste domingo em Brasília o enterro do corpo do comandante Décio Chaves Júnior, piloto do Boeing da Gol que caiu no dia 29, no Mato Grosso, depois de colidir com o jato Legacy, da Embraer. Por volta das 11 da manhã, quando o caixão deixava a Capela 6 do cemitério Campo da Esperança para ser enterrado, parentes e amigos de Décio foram surpreendidos com a imagem de um halo que circundava o sol com as cores do arco-íris. A imagem trouxe um pouco de descontração e amigos comentaram que era uma homenagem ao piloto.Durante o velório e o enterro, várias homenagens foram feitas ao piloto. Um dos momentos mais emocionantes ocorreu quando parentes e amigos cantaram, no velório, a música Canção da América, de Milton Nascimento. Durante o enterro foi lida a Prece dos Aviadores, dedicada a Nossa Senhora do Loreto, padroeira da categoria. Em um trecho, a oração afirma: "Em vós depositamos a nossa confiança. Sabemos a quantos perigos se expõe a nossa vida".Funcionários e diretores da Gol estiveram no velório e no enterro. O diretor de operações da Gol, Fernando Rockert, disse que representava a companhia aérea e a família Constantino, proprietária da empresa. Um grupo de amigos do piloto vestia camisetas em sua homenagem, com a frase "Decinho, amigo para sempre". Amiga e ex-colega do piloto na Transbrasil, Daniela Melo comentou: "Ele amava o que fazia, estava realizado, tinha vocação para a aviação e estava muito feliz".Quem esteve nas cerimônias recebeu um cartão com o Salmo 91 e com uma foto de Décio dentro de um avião. A capela onde foi velado o corpo foi ornamentada com muitas coroas de flores e com fotos do piloto. Em cima do caixão havia um boné e uma foto do comandante, que morava em Brasília, era casado e tinha um filho de 9 anos.RioDuas vítimas do acidente com o vôo 1907 da Gol foram enterradas no Rio nesse fim de semana. Os corpos da técnica do Inmetro Emanuelle Márcia dos Santos, de 22 anos, e do sanitarista da Fundação Oswaldo Cruz, Nilo Duarte Dória, de 47 anos, foram enterrados sob forte comoção de parentes e amigos. No sábado, no cemitério Nossa Senhora de Fátima, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, Emanuelle foi enterrada com orações e salva de palmas. Evangélica, teve o corpo velado na igreja que frequentava. O marido da jovem, Maycon, estava tão abalado que não compareceu ao velório e chegou em cima da hora do enterro. Os dois estavam casados havia apenas 10 meses.O sobrinho da vítima, Alan Sampaio, de 22 anos, foi o único parente a falar com a imprensa, e lamentou que Emanuelle tenha morrido tão jovem: "Ela tinha tantos sonhos, que foram interrompidos, acreditamos nós, que pela vontade de Deus. Tivemos uma semana dura, de espera, e só tenho a pedir que Ele que nós possamos superar essa perda", disse ele. Neste domingo, no cemitério Jardim da Saudade, foi a vez de sepultar o corpo do sanitarista da Fiocruz Nilo Dória. O sanitarista havia viajado na segunda-feira anterior ao acidente para Manaus, para dar consultoria à Secretaria de Saúde do Estado do Amazonas. Ele era um dos principais pesquisadores do Rio na área de hemodiálise e trabalhava na fundação havia mais de 20 anos, segundo o diretor da Fiocruz André Gemal. Além de Nilo, a sanitarista Maria Valéria Cruz, também da Fiocruz, estava no vôo 1907. Matéria alterada às 16h35 para acréscimo de informações

Agencia Estado,

08 de outubro de 2006 | 16h23

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