Pilotos da Air France ameaçam não voar até troca de sensores

Defeito nos pitots, que medem a velocidade do avião, é considerado possível causa do acidente no voo 447

Efe,

08 de junho de 2009 | 11h48

O sindicato de pilotos da Air France pediu nesta segunda-feira, 8, que seus associados não decolem enquanto a companhia não trocar os sensores de velocidade (pitots) dos Airbus A330 e A340, considerados uma das possíveis causas do acidente ocorrido nas águas do Atlântico no último dia 1.

 

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"A companhia disse que trocará os sensores nas próximas semanas. Queremos proteger nossos tripulantes e passageiros e não podemos aguardar por esse prazo", disse o sindicalista Christiphe Presentier à emissora France Info.

 

O sindicato pediu a seus membros que não decolem se o avião não tiver pelo menos dois dos três sensores modificados. Presentier afirmou que se trata de uma "medida de precaução" enquanto a possibilidade de que uma falha nesses sensores tenha provocado o acidente é investigada. Ele lembrou que o Escritório de Investigação e Análises (BEA) considera os sensores como uma das possíveis causas do acidente.

 

Presentier disse que no ano passado foram registrados outros problemas na Air France e em outras companhias relacionados com os sensores de velocidade. Segundo o BEA, estes sensores enviaram informações contraditórias sobre a velocidade do voo 447, e a incoerência dos dados pode ter causado pane em alguns sistemas eletrônicos do avião, como o piloto automático.

 

Troca de sensores

 

A Air France afirmou que acelerou o programa de troca dos sensores, iniciado em 27 de abril após defeitos terem sido registrados em vários de seus aviões. A companhia trocou esses sensores em sua frota de A320, a primeira em que se registraram anomalias, e não iniciou a substituição nos A330 e A340 até que a Airbus informasse o modelo compatível.

 

 

Pelo menos dois incidentes com os sensores foram relatados por tripulações da Air France em Air Safety Reports (ASR), o documento que registra o relatório de eventos anormais em voos comerciais. O primeiro diz respeito a um Airbus A340, de matrícula F-GLZL, posto em serviço em 1998, que fazia a rota entre Tóquio e Paris. De acordo com o ASR, o avião sofreu "perda de indicações anemométricas", causando queda brusca de altitude. No painel do piloto, um alarme com as inscrições NAV ISA Discrepancy foi acionado, indicando a divergência dos sensores de velocidade.

 

A falha causou a desconexão do piloto automático e panes no sistema Fly by Wire e Air Data Inertial Reference Unit (Adiru) - a exemplo do que aconteceu com o voo AF447. Para contornar a falha, a tripulação ativou o sistema de descongelamento dos pitots, que até então estava em posição automática. Com a medida, os indicadores de velocidade progressivamente retomaram a coerência nas aferições, possibilitando à tripulação seguir voo até seu destino.

 

O segundo incidente ocorreu com outro A340, de matrícula F-GLZN, que realizava a rota entre Paris e Nova York. Após turbulências, a aeronave - também posta em serviço em 1998 - apresentou a mensagem NAV ISA Discrepancy, teve o piloto automático desligado e apresentou panes eletrônicas por dois minutos, antes que as condições ideais de navegação fossem retomadas.

 

A eventual falha dos tubos de pitot do voo 447 é uma das pistas mais claras seguidas pelo Escritório de Investigações e Análises sobre a Aviação Civil (BEA), o órgão que investiga as causas do acidente da Air France. Segundo apuração dos peritos, as 24 mensagens automáticas enviadas pela aeronave entre 23h10 e 23h14 do domingo indicaram "incoerência da velocidade aferida".

 

"Muito confiável"

 

O A330 é um avião "muito confiável", afirmou nesta segunda-feira, 8, o diretor-operacional da Airbus, John Leahy. Para ele é cedo demais para tirar conclusões sobre as causas do acidente, segundo informou a AFP.

 

Leahy disse que o A330 está em operação há 15 anos e é um "burro de carga do setor mundial de transporte". "Temos hoje 600 aviões (A330) voando e 400 encomendados. "Vamos deixar que os investigadores continuem as investigações", afirmou.

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