Pilotos da Qantas evitaram desastre com Airbus, diz investigação

Pilotos de um Airbus A380 defeituoso lutaram com mais de 12 erros de sistema, depois da explosão de uma turbina em 4 de novembro, e conseguiram pousar em Cingapura no limite da pista, segundo uma investigação australiana.

BALAZS KORANYI, REUTERS

03 de dezembro de 2010 | 10h36

Na verdade, o avião da Qantas tinha tantos defeitos que os cinco pilotos, com uma experiência somada de 72 mil horas de voo, podem ter evitado uma tragédia.

"O avião não teria chegado em segurança a Cingapura sem a ação focada e efetiva da tripulação", disse nesta sexta-feira Martin Dolan, comissário-chefe do Departamento Australiano de Segurança dos Transportes.

A turbina modelo Trent 900, fabricada pela Rolls-Royce, explodiu sobre a ilha Batam, na Indonésia, minutos depois da decolagem. Fragmentos atingiram parte da asa, perfurando sistemas de combustível, hidráulicos e eletrônicos, e limitando os controles de voo do aparelho, segundo o relatório da agência.

Mas a magnitude do dano só ficou clara para os tripulantes quando o copiloto saiu da cabine e um passageiro, que também era piloto, lhe mostrou uma imagem da câmera instalada na cauda do avião, e que era mostrada nas telas de entretenimento a bordo.

A imagem mostrava que o Airbus estava deixando um rastro de fluidos - provavelmente combustível, ou talvez fluido hidráulico - por causa de um furo na asa. Como o avião perdeu combustível rapidamente, seu centro de gravidade foi alterado, causando mais problemas.

Com tantas dificuldades, a tripulação levou 50 minutos só para completar as reações necessárias, antes de poder preparar o pouso.

Foram tantos erros que os computadores que calculam os dados do pouso não deram conta da tarefa. Os pilotos removeram então algumas variáveis, na esperança de que isso resultasse em uma aproximação precisa.

Como o avião estava com 440 toneladas, cerca de 50 a mais do que o máximo recomendado para o pouso, o computador concluiu que sobrariam apenas cem metros de pista no aeroporto Changi, em Cingapura, segundo o relatório. Os pilotos decidiram que isso seria suficiente, e que seria mais seguro tentar o pouso acima do peso do que se livrar do combustível, o que afetaria ainda mais o equilíbrio do aparelho.

O A380 "continuou controlável" nos preparativos para o pouso, mas perdeu muitos dos seus sistemas que controlam a inclinação, a velocidade e os freios.

O avião acabou parando a 150 metros do final da pista de concreto, com os freios aquecidos a 900C e quatro pneus estourados. Ele jorrava combustível, e um dos motores se negou a ser desligado por mais de duas horas, até que os bombeiros o "sufocassem" com espuma. Por decisão dos pilotos, os passageiros tiveram de ficar mais uma hora a bordo, até que os bombeiros declarassem que a situação estava sob controle.

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