Pilotos do Legacy devem responder por crime, diz relator

FAB conclui que americanos desligaram o transponder, equipamento que teria evitado o acidente da Gol

Denise Madueño, O Estado de S. Paulo

06 de dezembro de 2008 | 11h51

O relator da CPI do Apagão Aéreo na Câmara, deputado Marco Maia (PT-RS), disse neste sábado, 6, que a confirmação de que os pilotos do Legacy desligaram o transponder - o que teria sido a principal causa da segunda maior tragédia da aviação brasileira em 29 de setembro de 2006 - só reforça a necessidade de que Joseph Lepore e Jan Paladino devem ser responsabilizados criminalmente pelo acidente com o vôo 1907, da Gol, que deixou 154 mortos.   Veja também: Piloto do Legacy desligou transponder, aponta FAB Um 3º avião atrapalhou comunicação   O Estado revelou que a Aeronáutica já concluiu, e vai divulgar nesta semana, que o transponder, equipamento que poderia ter evitado a colisão com o Boeing da Gol, foi desligado pela mão de um dos pilotos sete minutos depois de a aeronave passar por Brasília. O equipamento só voltou a ser acionado três muitos após o choque com a aeronave da Gol quando os americanos perceberam que estava em stand by. "Durante a CPI já havíamos apontado que o desligamento do transponder foi uma das causas do acidente. O relatório da Aeronáutica so veio confirmar que os principais responsáveis pelo acidente foram os pilotos do Legacy e eles têm de ser responsabilizados por crime doloso", disse Maia.   Também integrante da CPI, o deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), defendeu que o governo brasileiro, assim como teve empenho para trazer o banqueiro Salvatore Cacciola de volta ao País, deve ter empenho para trazer para o Brasil os dois pilotos para responder pelo acidente. Loures lembrou que Lepore e Paladino se recusaram a prestar esclarecimentos à Justiça brasileira e também não compareceram à CPI.   "Essa estratégia de defesa (o não comparecimento) é um sinal de que eles não estão prontos a prestar contas do que fizeram naquele vôo. É um sinal muito forte de que eles não tenham falado toda a verdade", disse o peemedebista. "Na minha opinião, eles são os culpados, apesar de que um acidente não é um fato isolado em si, mas sim uma somatória de erros que leva a uma tragédia", prosseguiu Loures.   Para o deputado, houve imperícia por parte dos pilotos, que não conheciam o equipamento e desconheciam o sistema de controle aéreo brasileiro. "Na época, os trabalhos já apontavam imperícia dos americanos, hipótese que está sendo confirmada agora." Segundo o parlamentar, à época das investigações no Congresso, a CPI levantou a hipótese de que o transponder teria sido desligado para que os pilotos fizessem manobras com o avião. Loures ainda sugeriu que a Câmara monte um grupo parlamentar para acompanhar, junto à Corte de Nova York, o julgamento do caso nos Estados Unidos.   Outro integrante da CPI, o deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR), disse não ter ficado surpreso com o relatório da Aeronáutica. E destacou que a confirmação de que o transponder foi desligado tem impacto grande na área civil, além da criminal. "Eles podem não ter tido a intenção, mas tem uma culpa, que pode ocorrer em casos de imprudência, negligência ou imperícia. Na questão civil, impacto é grande e pode servir para definir quem vai pagar a indenização para as famílias das vítimas", disse Fruet.   Tio de uma das vítimas do vôo 1907, Jorge André Cavalcanti disse neste sábado que o relatório da Aeronáutica só confirma as suspeitas com as quais já se vinha trabalhando.

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