Pilotos do Legacy são recebidos com festa nos EUA

Os pilotos Joseph Lepore, 42 anos, e Jan Paul Paladino, 34, desembarcaram na tarde deste sábado às 12h05 pelo horário de Nova York (15h05, horário de Brasília) no Aeroporto MacArthur, em Long Island. Os americanos, que não falaram com a imprensa, foram recebidos com festa pelos familiares, uma comitiva de políticos, advogados, empresários e representantes de associações de pilotos e proprietários de aeronaves. Lepore e Paladino foram indiciados na sexta-feira, 9, pela Polícia Federal (PF)de São Paulo, no inquérito que sobre o acidente entre o jato Legacy pilotado por eles e o Boeing da Gol, que causou a morte de 154 pessoas no dia 29 de setembro, no Mato Grosso. Os dois foram acusados de "expor culposamente (sem intenção) a perigo embarcação ou aeronaves", delito previsto no artigo 261 do Código Penal, agravado pelo fato de a conduta dos acusados ter causado morte. Depois de seis horas de interrogatório, no qual não responderam a nenhuma pergunta, os pilotos foram liberados pela PF e embarcaram às 16 horas para os Estados Unidos.Os americanos voltaram para casa também num Legacy, alugado pela ExcelAire, empresa de táxi aéreo para a qual trabalham. O crime do qual a PF acusa os pilotos pode, em caso de condenação, valer aos americanos uma pena base de 1 a 3 anos de prisão, acrescida de um terço - sem contar possíveis agravantes. Os pilotos, que tiveram seu passaportes retidos, ficaram 65 dias confinados no Hotel Marriott, no Rio de Janeiro. DefesaOs delegados Ramon Almeida da Silva e Rubens Maleiner registraram cada uma das perguntas feitas aos pilotos. Além de seus advogados, os dois estavam acompanhados por representantes do consulado americano. Um intérprete ajudou no interrogatório. ?As provas colhidas por nós mostram que houve negligência, o que torna suas condutas causas do acidente?, afirmou Ramon. ?Faltaram aos pilotos os cuidados necessários, esperados e exigíveis durante o vôo.?Entre esses cuidados está o fato de os dois não terem alterado o nível de altitude depois de passarem por Brasília, quando mudavam não só de aerovia, mas também de proa (direção do nariz), conforme revelou o Estado. Quando isso ocorre, o piloto deve passar de um nível de altitude par para um ímpar ou vice-versa. Assim, quando se chocou com o Boeing, o Legacy estava na contramão.Além disso, os pilotos não teriam seguido norma da Organização Internacional de Aviação Civil (Icao, na sigla em inglês) que determina a manutenção da altitude prevista no plano de vôo em caso de perda de contato com a torre por mais de 20 minutos. Assim, não poderiam estar a 37 mil pés mesmo com autorização da torre, mas a 38 mil pés.

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