Pimentel atua para cobrir dívidas de campanha

Enquanto aguarda confirmação de seu nome para pasta de Indústria e Comércio, ex-prefeito cumpre agenda em Brasília e ajuda a arrecadar recursos

Eduardo Kattah, O Estado de S.Paulo

09 de dezembro de 2010 | 00h00

Convidado para assumir o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, o ex-prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT), aguarda a confirmação de seu nome em plena atividade: ele tem ajudado a arrecadar recursos para cobrir o rombo de R$ 27,7 milhões da campanha presidencial petista - missão coordenada pelo tesoureiro do partido, José de Filippi.

Por essa e por outras tarefas, o ex-prefeito cumpre uma "agenda parlamentar" em Brasília, onde tem ficado entre terças e quintas-feiras. Os amigos ressaltam que sua relação com a presidente "é estreita" e que não se cogita que ele não seja contemplado com um ministério.

Por temperamento, Pimentel tem uma atuação discreta - "mas se tem um "porquinho" que Dilma mais ouve, é ele", disse ao Estado um de seus amigos mais próximos, numa referência aos auxiliares diretos da presidente eleita.

Companheiro de juventude de Dilma - os dois estudaram no colégio estadual Milton Campos, conhecido como Estadual Central, em Belo Horizonte, e militaram em organizações de esquerda -, Pimentel se afastou da linha de frente da campanha nacional após ser vinculado à montagem de um grupo de inteligência suspeito de produzir dossiês contra tucanos. Ele sempre negou a acusação, mas sua queda foi atribuída ao "fogo amigo" da fase pré-campanha.

Indicações. Enquanto o futuro governo discute, em Brasília, os nomes do ministério, o diretório mineiro empenha-se em obter reconhecimento pelo "sacrifício" na última eleição, cobrando bons cargos federais para seus quadros. Não só pela lealdade demonstrada, mas para contrapor, no tabuleiro de Minas Gerais, a liderança do senador eleito Aécio Neves (PSDB).

Na Esplanada, porém, até o momento apenas o ex-prefeito garantiu lugar. "O Pimentel já foi convidado e nós estamos trabalhando para emplacar o Patrus. Estamos trabalhando para ter dois ministérios", disse o presidente do PT-MG, deputado federal Reginaldo Lopes.

A princípio, os aliados de Pimentel no PT mineiro reivindicavam uma pasta que desse mais visibilidade ao ex-prefeito, como o Ministério das Cidades ou mesmo o do Turismo - responsáveis por obras e projetos envolvendo a Copa de 2014, além de outros programas.

Candidato derrotado ao Senado, Pimentel deixou a impressão, durante a campanha, de não ter-se empenhado a fundo na própria candidatura. Embora tenha vencido a disputa interna no PT com o ex-ministro Patrus Ananias, não conseguiu se viabilizar como candidato ao governo do Estado por causa do acordo nacional entre PT e PMDB. Depois, teve de ceder a cabeça de chapa ao ex-ministro das Comunicações, Hélio Costa (PMDB), que acabou derrotado. Seu grupo foi acusado de ter feito corpo mole na campanha.

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