Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Pimentel busca apoio federal para crise da água em Minas Gerais

O governador garante que a presidente Dilma está empenhada em ajudar o Estado mineiro e não descarta racionamento

Rafael Moura Moraes e Tânia Monteiro , O Estado de S. Paulo

28 Janeiro 2015 | 12h14

BRASÍLIA - Em reunião no Palácio do Planalto, a presidente Dilma Rousseff (PT) garantiu ao  governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), apoio ao Estado no enfrentamento da crise hídrica. Segundo Pimentel, o objetivo do governo estadual é reduzir em 30% o consumo de água por meio de uma campanha educativa - caso a meta não seja alcançada, Minas pretende adotar medidas "mais drásticas", como o rodízio de água e até o racionamento, alertou o governador.

"Se não chover, se o consumo não cair, se a vazão não aumentar, e se não houver mais captação, em três meses vamos ter de racionar severamente", disse o governador, ao falar com jornalistas após audiência com Dilma no Planalto. "Nós colocamos a meta de 30% (de redução de consumo) porque é uma meta factível que nos permite vislumbrar atravessar o ano sem medidas mais drásticas. Se isso não acontecer, vamos pro rodízio e racionamento."

Depois da reunião com Pimentel, Dilma discutiu com o governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, o cenário da crise hídrica no Estado. Na sexta-feira, haverá uma audiência com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, para falar do assunto. Segundo apurou o Broadcast Político - serviço em tempo real de notícias da Agência Estado -, os três governadores deverão retornar na próxima semana a Brasília para participar de uma audiência conjunta com representantes do governo.

"Pela primeira vez o governo do Estado de Minas Gerais apresentou à presidente da República a crise hídrica do Estado. A situação, de fato, é grave, nós temos uma situação já crítica na região metropolitana e no norte do Estado, também, municípios em situação quase de colapso de abastecimento de água. Isso foi mostrado à presidenta no intuito de que ela tomasse conhecimento da realidade da situação de Minas", comentou Pimentel.

"Eu vi a preocupação da presidente com a situação, ela ficou visivelmente preocupada e orientou os ministros que nos apoiem em tudo que for necessário", disse o governador.

Alertas. Segundo o petista, a situação grave já estava desenhadas "desde o ano passado".  "Os reservatórios que compõem o sistema de abastecimento da região metropolitana de Belo Horizonte em janeiro do ano passado tinham 70% da sua capacidade tomada e esse número caiu em janeiro deste ano para 30%, foi uma queda muito acentuada, a curva foi declinante ao longo dos 12 meses de 2014, essa situação, portanto, já podia ter sido detectada em meados do ano passado", disse o governador.

A Agência Nacional de Águas (ANA), de acordo com Pimentel, fez dois alertas para a companhia de saneamento estadual, chamando atenção para a gravidade da situação em agosto e setembro do ano passado. Na época, o governador de Minas era Alberto Pinto Coelho (PP), que assumiu o cargo após a saída de Antonio Anastasia (PSDB).

"Esses dois alertas não foram levados em conta, a população não foi comunicada da gravidade da situação e essas medidas de economia que poderiam ter sido adotadas há seis meses atrás não foram. Vão ter de ser adotadas agora, com atraso e mais intensidade", criticou Pimentel. Questionado se o governo estadual havia sido negligente no enfrentamento da questão, Pimentel respondeu que não gostaria "de fazer nenhum juízo de valor porque a situação é muito grave". 

"Não nos interessa nos transformar isso em uma disputa partidária política. Temos agora de estar unidos É uma crise grave no Sudeste brasileiro. Agora no nosso caso, de fato, a companhia de saneamento estadual deixou de tomar as medidas necessárias. Isso que estamos fazendo agora já podia estar sendo feito em meados do ano passado", disse o petista.

Apoio. De acordo com o Pimentel, o governo de Minas Gerais pretende aumentar a capacidade da captação na bacia do Rio Paraopeba pro reservatório Rio Manso. Segundo ele, o valor da obra seria inferior a R$ 1 bilhão.

"Nós não temos um projeto pronto, esse projeto vamos entregar no final do mês de fevereiro, é algo razoável, não é um número absurdo. Menos de R$ 1 bilhão, bem menos", comentou. Em uma rápida declaração, o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, garantiu que o governo federal "vai dar o apoio necessário ao governo do Estado".

"A ideia é que a gente tenha esses detalhes (da obra de captação) até o final de fevereiro, pro governo federal definir como vai ajudar isso, pode ser inclusão dentre as obras do PAC, pode ser ação conjunta pra viabilizar execução e outras modalidades. O governo federal vai apoiar a realização dessa obra", 

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