Clarissa Thomé/Estadão
Clarissa Thomé/Estadão

Pink blocs participam de Parada Gay no Rio

Grupo de 50 mascarados afirma que se inspirou nos black blocs; deputado Jean Willys participa do evento com cartaz em apoio aos professores

Clarissa Thomé, O Estado de S. Paulo

13 Outubro 2013 | 16h18

Um grupo de mascarados chamou a atenção na Parada Gay do Rio, realizada na tarde deste domingo, 13, na Praia de Copacabana, que reuniu 300 mil pessoas, segundo a Polícia Militar. Inspirados no Black Bloc, eles cobriram o rosto com panos cor-de-rosa e promoveram o "glittervandalismo" ao lançar purpurina no público. Apesar do tom de brincadeira, o Pink Bloc garante ter uma missão muito séria: defende maior politização da parada.

"Sou contra o discurso de que a passeata é alienação. O desbunde e a felicidade também são um gesto político. Mas houve um certo esvaziamento político da parada. No Brasil, houve avanço nos direitos individuais, mas a vivência homossexual ainda é repleta de preconceito, repressão. E, se a pessoa acumula minorias, é negro, pobre, soropositivo, a realidade é ainda mais sofrida", afirmou o economista Eduardo Sá, de 28 anos, um dos fundadores do grupo Pink Blocs no Rio.

A turma tem como símbolo uma matrioshka nas cores do arco-íris em alusão ao fato de a Rússia ter aprovado recentemente lei que proíbe a "propaganda" de relações sexuais "não tradicionais" para menores de idade.

Eles afirmaram que não querem polemizar com os black blocs. "Nos inspiramos nos black blocs. Não há conflito com eles. Somos um grupo de apoio, respaldo e um certo respeito pelo que eles têm feito", afirmou o designer Guilherme Altmeyer.

O deputado federal Jean Willys (PSOL/RJ) concorda com a importância de politizar a parada. "Esse é um dia de festa, mas também de mobilização. Durante o ano todo nossos direitos são desrespeitados. Declinei do convite de vir num carro porque acho importante politizar a parada", afirmou o deputado. Ele carregava um cartaz com a inscrição "Há gays e lésbicas entre professores. Apoiamos a greve!".

Discurso político. A 18.ª edição da parada teve como lema "Somos milhões de vozes" e foi formada por 13 trios elétricos. A transexual Jane di Castro cantou o Hino Nacional na abertura do evento, que teve também um beijaço coletivo.

Coordenador de Diversidade Sexual da prefeitura do Rio, o estilista Carlos Tufvesson lembrou, em discurso, pesquisa da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República que apontou aumento de 46% nas violações contra homossexuais. "Temos de nos unir nesta luta e mostrar que é tolerância zero. Ninguém precisa ser gay para lutar contra a homofobia. Todos podem e devem lutar", disse.

O tom político, porém, não dominou a parada gay. A grande maioria do público preferiu dançar ao som de música eletrônica. A promoter de festas gays Darlene Florzinha, de 24 anos, disse que é um espaço para "namorar sem preconceito" e comemorar as conquistas. Ela e a companheira, Lívia Melo, de 38 anos, têm uma filha de 6 meses, gerada por inseminação artificial. "Nossa filha tem os nossos nomes na certidão de nascimento. Foi uma grande vitória", disse Darlene, que engravidou da menina.

Confusão. No trecho da passeata na frente do Copacabana Palace, houve um princípio de tumulto quando seis evangélicos ergueram cartazes com advertências contra "fornicadores e homossexuais: o inferno os espera".

"Viemos pregar o Evangelho na esperança de conscientizar essas pessoas de que Deus não aceita esse estilo de vida", disse o pastor americano Bill Hamilton, de 57 anos. A polícia interveio.

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