Pirapora faz tapete de 2km para procissão

O maior divertimento da população de Pirapora de Bom Jesus, a 54 quilômetros de SP, é passar o feriado de Corpus Christi trabalhando.Todos os anos, durante a madrugada, os moradores desenham com pó de serra e material reciclado um tapete de aproximadamente dois quilômetros de extensão. Sobre esse tapete, passará uma procissão, que acontece todo feriado às 17h, e atrai cerca de 30 mil visitantes.De acordo com os moradores mais antigos, há mais de 40 anos a cidade mantém a tradição de enfeitar as ruas. "No começo, colocávamos toalhas com motivos religiosos nas janelas das casas, arcos com bambu e flores para adornar o caminho da procissão", lembra Marta de Oliveira, de 75 anos.Segundo Marta, só em 1973 surgiu a idéia de pintar desenhos no chão da cidade. "Participei com meu pai da confecção do primeiro tapete", conta Antônio Juares de Oliveira, 40 anos, filho de Marta.As cerca de 3 mil cascas de ovos que Oliveira armazena por quase cinco meses foram colocadas por volta da 8h da manhã do feriado em seu desenho, que demorou mais de 12 horas para ficar pronto.Guga e CorinthiansPela manhã, dezenas de visitantes puderam apreciar os 85 tapetes prontos. Os primos Alessandro da Silva Santos, de 13 anos, e Joel da Rocha, de 17, participaram pela primeira vez da elaboração dos desenhos. "Ficou tão bonito que até passei para ver de novo antes de ir trabalhar", disse Joel.Ao contrário dos anos anteriores, foi determinado um tema - o Congresso Eucarístico Nacional, que acontece entre 19 e 22 de julho em Campinas - para os tapetes. Segundo o cônego Alvarino Bienzobas Júnior, nos último anos alguns desenhos passaram a perder a característica religiosa.Este ano, antes de se estabelecer o tema, além do símbolo do time paulistano, os moradores propuseram homenagear o falecido governador Mário Covas e o tenista Gustavo Kuerten.Um artista foi convocado para fazer os desenhos com antecedência. O trabalho da população, este ano, foi apenas de preencher os desenhos. Ao todo, foram usadas mais de 26 toneladas de serragem.Outra novidade foi a utilização de mais de mil tochas para iluminar as ruas durante o trabalho. Por causa do racionamento de energia, todas as luzes do centro da cidade foram desligadas.A idéia não agradou. "Acabou prejudicando o meu trabalho", disse o grafiteiro Henrique dos Santos Neto.

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