Pires anuncia gabinete de crise para acompanhar setor aéreo

O ministro da Defesa, Waldir Pires, anunciou nesta quinta-feira a criação de uma espécie de gabinete de crise para acompanhar semanalmente, com a cúpula do setor aéreo, a evolução das soluções dadas para os problemas em cada área, com objetivo que acabar com os atrasos nos aeroportos. O anúncio do novo grupo de trabalho foi feito pelo próprio ministro, depois de uma reunião de quase três horas em seu gabinete. Mas Waldir Pires preferiu não dar prazo para uma completa solução do problema e disse acreditar que a Semana Santa será tranqüila para os passageiros."Nós desejamos que seja na Semana Santa, seja no Pan, seja nas férias, seja na vida do Brasil", afirmou ele, que atribuiu as panes que estão acontecendo agora "a velhos problemas de infra-estrutura, que vêm de décadas", "de gestão", "de infra-estrutura" e "equipamentos". Segundo o ministro, o governo vai focar "o êxito da gestão, o êxito do relacionamento". E anunciou: "com isso venceremos os problemas".PrioridadesNa reunião, de acordo com o presidente da Infraero, brigadeiro José Carlos Pereira, foram estabelecidas prioridades para cada área tentar resolver os problemas que estão atrapalhando o bom funcionamento dos aeroportos. No caso da Infraero, a prioridade é a conclusão da reforma das pistas do aeroporto de Congonhas porque ele é o centro de distribuição de vôos e qualquer fechamento ali gera atrasos no país inteiro. "Vamos apressar as obras", assegurou ele, que concorda com as afirmações de que existem problemas de gestão, mas que acredita que todos estão tentando corrigi-los. Depois de dizer que "não estamos em uma crise", o brigadeiro explicou que "problemas de gestão não representam crise" e lembrou que depois do acidente com o Boeing da Gol, em 29 de setembro do ano passado, uma série de coisas foi aparecendo, algumas delas com vertentes políticas e reivindicatórias. "Quem tem qualquer coisa para reivindicar aproveita", disse. O ministro da Defesa, Waldir Pires, no entanto, afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva quer uma solução definitiva para as panes. "Não podemos permitir que esses problemas continuem. Esta é uma obsessão do governo do presidente da República. Temos que vencer seja o que for. Nós vamos ter uma ação coordenada, uma, um pensamento uno, decidido de fazer esse enfrentamento", avisou ele, ao contar que essa a cada reunião os responsáveis pelo setor apresentarão os resultados obtidos na semana anterior. ReuniõesWaldir Pires avisou ainda que essas reuniões só serão suspensas quando acabar a crise. O próximo encontro da cúpula do setor aéreo está marcada para terça-feira. Além de Waldir Pires, estavam presentes no encontro o presidente da Anac - Agência Nacional de Aviação Civil, Milton Zuanazzi, o presidente da Infarero, brigadeiro José Carlos Pereira, o diretor do Decea- Departamento do Espaço Aéreo do Ministério da Aeronáutica, brigadeiro Ramon Borges Cardoso, e o novo assessor de Pires para tratar de questões aéreas, brigadeiro Jorge Godinho, que foi o responsável pela transição do DAC para a ANAC.O ministro não quis falar sobre hipótese de sabotagem que estaria sendo aventada por alguns setores para justificar sucessivas panes em equipamentos em diversos aeroportos. "Queremos um pensamento uno, uma ação uma, absolutamente coordenada, até contra tudo ", comentou. Questionado se estas reuniões impediriam novas panes o ministro respondeu: "o propósito é cancelar todas essas dificuldades que nós temos vivido. É a luta de nós conseguirmos ter um transporte aéreo como desejamos, cada vez melhor, com a soma da experiência de todos esses órgãos com objetivo de gerenciamento do transporte aéreo permanente". A reunião teve como objetivo estabelecer o gerenciamento do transporte aéreo, de modo que todos os aspectos prioritários, sejam de infra-estrutura, sejam da ação cotidiana, dos recursos de todas as naturezas. Crise aéreaNa noite de quarta-feira, o ministro da Defesa se reuniu com pessoas ligadas ao controle do tráfego aéreo e ouviu deles as preocupações com a demora na solução por parte do governo para as prometidas mudanças de gerenciamento no setor.Apesar de o nome do ministro estar na berlinda e que muitos anunciem que ele pode deixar o cargo, Waldir Pires revelou que tem aval do Planalto para dar prosseguimento às mudanças que pretende fazer. Mas ele já sinalizou que elas levarão tempo para serem colocadas em prática. O ministro foi informado da imensa insatisfação dos controladores e de que o pessoal perdeu a confiança em suas chefias e não trabalha mais com o afinco e a dedicação de antes. Ouviu ainda que, se as coisas davam certo era porque todos estavam empenhados em tapar buracos e corrigir quaisquer problemas que ocorressem em nome da eficiência do transporte aéreo. Com o embate levantado pelo ex-comandante Luiz Carlos Bueno, que chegou a decretar dois aquartelamentos dos sargentos controladores, acabou a boa vontade de todos e os problemas começaram a estourar."Se um rádio começava a chiar, corríamos para tentar encontrar um meio de consertá-lo para que ele não estragasse e o quadro se tornasse irreversível. Agora, se começou a chiar, vai chiar até parar de funcionar definitivamente, se perdendo mais um equipamento de trabalho. É como uma casa ou um carro que não tem manutenção e ninguém se preocupa com isso", revelou um controlador, ao falar da falta de estímulo de todos. Na reunião, o ministro Waldir comentou sua preocupação com este desânimo e a necessidade de se encontrarem formas de voltar a formar um time para trabalhar com um único objetivo, de devolver a eficácia do setor aéreo.

Agencia Estado,

22 de março de 2007 | 20h37

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.