Pires defende criação de carreira de controlador de vôo

Depois de ressalvar que a volta dos feriados nos aeroportos é sempre um processo um pouco tumultuado e demorado, o ministro da Defesa, Waldir Pires, comentou que espera que no domingo, 5, e na segunda-feira, 6, a volta dos que viajaram para seu descanso seja mais tranqüila e não ocorram grandes problemas.Waldir Pires voltou a defender a necessidade de se estudar a criação de uma carreira de controladores de vôo civis. "Estou convencido de que é uma boa solução. Aliás, não sou eu, é o mundo", disse o ministro, que ressalvou, no entanto, que será necessário também que sejam estabelecidas regras claras para disciplinar este trabalho."O Estado democrático não pode ficar refém de nenhum setor da sociedade, de nenhuma categoria", declarou ao Estado, ao citar a crise que ocorreu nos últimos dias e que cresceu a ponto de provocar ameaça à integridade das pessoas nos aeroportos. "Não se pode admitir um Estado democrático paralisado, com a população desassistida, vendo o crescimento da situação de intranqüilidade nos aeroportos, com brigas, choques, polícia", desabafou o ministro, que não deixou de elogiar o trabalho da Aeronáutica em todos esses anos no setor.Segundo o ministro, os órgãos do governo vão estudar a nova carreira, mas ainda não há um desenho definido de como ela será. "Nós nos comprometemos a estudar passos que resultem em uma atividade civil do controle aéreo", observou ao comentar que deve haver uma ligação entre os sistemas de defesa e civil. "Defendo transporte civil para população civil", salientou o ministro, que acabou admitindo que pode ter ocorrido um problema na administração nesta área, mas que insistiu em dizer que "a Aeronáutica sempre fez um trabalho louvável neste setor".O ministro evitou polemizar com a Aeronáutica sobre os problemas do controle do tráfego aéreo, que levaram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a colocar o ministro Luiz Marinho (Trabalho) nas negociações com os controladores de vôo. Pires disse que não vê o menor motivo para o comandante da Força, brigadeiro Luiz Carlos Bueno, ficar chateado ou deixar o cargo. "Não há por quê. O brigadeiro Bueno tem o meu apreço e a confiança do presidente da República", atestou ele, justificando que o que houve, nos últimos dias, foram muitos momentos de cansaço e tensão.Ele explicou que procurou os controladores para conversar, com objetivo de "buscar uma solução em face de um quadro de tensão nacional crescente com aeroportos lotados, mulheres, crianças, pessoas idosas em um clima de impaciência e ameaça de conflitos". E prosseguiu: "Temos de ter responsabilidade com a população. A coisa estava no limite. Precisávamos fazer alguma coisa e o Marinho tem boas relações com os trabalhadores".Esta interlocução direta do ministro da Defesa com os controladores desagradou os militares. "Não tenho dúvida que os aspectos militares devem ser respeitados", afirmou ele, referindo-se à regra de hierarquia e disciplina questionada pelos militares, "mas a situação é de desconstruirmos e finalizarmos uma crise".

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