Pires entrega o cargo e Jobim é o novo ministro da Defesa

Novo ministro deve ser anunciado nesta quarta pelo governo e terá que reorganizar o Conac

25 Julho 2007 | 09h14

Em reunião no Palácio do Planalto na manhã desta quarta-feira, 25, Waldir Pires entregou o cargo de ministro da Defesa ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que deve anunciar na tarde desta quarta Nelson Jobim, ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), para o cargo. Após a reunião com Pires, na qual aceitou o pedido de demissão do ministro, Lula recebeu Jobim e fez oficialmente o convite para a pasta.     O Palácio do Planalto deve divulgar ainda nesta quarta um comunicado oficial sobre a troca de comando no Ministério da Defesa. O Planalto ainda não divulgou a data da posse de Jobim. A principal tarefa de Nelson Jobim à frente do ministério será reorganizar o Conselho Nacional de Aviação Civil (Conac), que deve ter mais consultores e ministros, e definir uma política para ser implementada pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).   Vários nomes foram cogitados para assumir o cargo. Entre eles o do ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, que foi sondado duas vezes, a pedido de Lula, que precisa de uma solução rápida para dar resposta à sociedade. Lula decidiu substituir Pires logo após a tragédia com o avião da TAM.   Lula segurou Pires o quanto pôde no cargo, mas hoje tem pressa em substituí-lo. Avalia que, a partir daí, haverá mudanças de métodos de trabalho e maior integração entre as várias siglas que hoje cuidam do espaço aéreo brasileiro. O presidente também decidiu trocar o presidente da Infraero, brigadeiro José Carlos Pereira. O major brigadeiro-do-ar Jorge Godinho Néri é o mais cotado para comandar a secretaria-executiva do Conac.   Abelha no mel   Quando foi convidado para assumir o ministério da Defesa, Paulo Bernardo disse a Lula que, para solucionar a crise aérea, era preciso dinheiro. "Não adianta criar carreira para controlador de vôo nem desmilitarizar o setor", afirmou. "O Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) destina pouco mais de R$ 3 bilhões para essa área, mas isso é muito pouco."   Foi Bernardo que, no fim de março, negociou o fim da greve dos controladores de vôo, a mando do presidente, que estava nos Estados Unidos. A intervenção, porém, desagradou ao Comando da Aeronáutica. Os controladores retornaram ao trabalho, mas o governo não cumpriu sua parte no acordo e as operações-padrão continuaram meses a fio.   Pelos cálculos apresentados pelo ministro do Planejamento, seriam necessários investimentos de R$ 15 bilhões para pôr nos eixos o sistema aéreo e desafogar os aeroportos do País. A venda das ações da Infraero - com a manutenção do controle acionário pelo governo - é a mais nova alternativa em estudo para debelar a crise.   "Mas isso não é privatização, é?", perguntou Lula a Bernardo, desconfiado. Diante da resposta negativa do ministro e de novas consultas feitas pelo presidente sobre o assunto, o Planalto encomendou estudo sobre a modelagem da venda das ações da Infraero ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).   Em reuniões na segunda e terça-feira, Lula e os ministros da coordenação política do governo avaliaram que, num primeiro momento, a abertura do capital da Infraero injetará na empresa recursos da ordem de R$ 2 bilhões. "A perspectiva de pôr as ações da Infraero na Bolsa de Valores atrairá investidores, como abelhas para o mel", comparou um dos ministros que participaram do encontro. "É uma oportunidade de ouro, porque há dólar jorrando no mundo."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.