Pires nega existência de ponto cego na Amazônia brasileira

O ministro da Defesa, Waldir Pires, afirmou nesta segunda-feira, 4, desconhecer a existência de um ponto cego na área de cobertura do Centro de Controle de Tráfego Aéreo de Brasília (Cindacta 1), responsável pelo monitoramento do espaço aéreo onde ocorreu a queda do avião da Gol, em 29 de setembro.Pires, no entanto, não foi categórico quando foi confrontado com informações veiculadas neste fim de semana por controladores que supostamente trabalharam no dia do acidente, que causou a morte de 154 pessoas. Eles informaram que há uma área onde os aviões somem do radar e relataram que os equipamentos que utilizam induzem ao erro."As informações que eu tenho é de que não há (ponto cego). Essas informações são da Aeronáutica, que administra todo o sistema. Salvo uma demonstração tecnologicamente válida, eu entendo que a informação da Aeronáutica é correta", disse Pires, durante o seminário "Sociedade: Diálogo com as Forças Armadas", realizado na Escola de Comando e Estado Maior do Exército, no Rio. Para especialistas que atuam próximos às investigações do acidente do vôo 1907, causou estranheza à comissão que apura a queda do avião da Gol as imagens veiculadas pela TV Globo este fim de semana que comprovariam a existência do ponto cego.A matéria mostra um radar que monitorava dois aviões que sumiram repentinamente, após passarem por essa área sem cobertura. Os especialistas acham, no entanto, que um controlador pode apagar a imagem com um simples toque. Segundo os especialistas, a suposta insuficiência de cobertura radar do Cindacta 1 será investigada, embora a Aeronáutica tenha informado que não há esse problema.Pires também negou que os aparelhos usados no sistema de vigilância do espaço aéreo brasileiro estão ultrapassados e que induzem ao erro. Além dos controladores, o Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias (Snea) tem sustentado que o "sistema está sucateado", já que o dinheiro para modernização estaria sendo contingenciado para o governo pagar os juros da dívida pública. "Isso não é verdade. Em 2005, 2006, praticamente os contingenciamentos foram mínimos e os investimentos foram realizados", afirmou o ministro.Sobre mais um fim de semana marcado pelos atrasos e cancelamento de vôos nos aeroportos, o ministro da Defesa diz acreditar que as coisas estão caminhando para a normalidade, mas não garantiu que isso realmente ocorra nas festas de fim de ano. "A minha esperança é de que nós chegamos ao Natal a uma relativa normalidade. Não diria que é uma garantia. Estamos já contratando diversos controladores", afirmou. A volta à normalidade, disse Pires, deverá ocorrer de forma gradual, com a "colaboração de todos".CríticasPires usou a diplomacia e preferiu não comentar as críticas feitas a ele, neste fim de semana, pelo presidente do Clube da Aeronáutica, brigadeiro Ivan Frota. Por meio de carta, Frota diz que Pires "fulminou" hierarquia e disciplina ao lidar diretamente com os controladores de vôo no período mais agudo dos atrasos e cancelamentos, em meados de outubro."Eu guardo do brigadeiro Frota uma impressão boa. Eu não li ainda (as críticas), soube. De modo que juízos pessoais são direito de qualquer cidadão. Eu não discuto juízo pessoal e defendo a liberdade para que as pessoas possam dizer o que entendem", afirmou o ministro.Matéria ampliada às 18h51

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