Pistoleiro do PCC é detido antes de executar agentes

Entre os alvos estavam diretores de presídios que abrigam os principais líderes da facção

Josmar Jozino e Marcelo Godoy, O Estadao de S.Paulo

19 Fevereiro 2009 | 00h00

Uma investigação feita pelo Serviço de Informações da Polícia Militar e pela Inteligência da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) levou à prisão de um pistoleiro ligado à cúpula do Primeiro Comando da Capital (PCC). Rogério Araújo Taschini havia recebido a missão de executar dois diretores de presídios e agentes penitenciários da região oeste de São Paulo. O plano da facção criminosa foi descoberto há dois meses pelos investigadores. Os nomes dos funcionários que seriam alvo do crime organizado não foram divulgados.O fracasso de mais esse plano da facção só foi possível por meio de uma denúncia e pelo trabalho de vigilância feito pela inteligência policial e prisional. Os investigadores haviam recebido a informação de que um integrante da cúpula da facção havia encomendado a morte de "dois frangos". A mulher de um preso serviu como pombo-correio para que a ordem saísse da prisão e chegasse ao pistoleiro. A mulher também seria responsável por identificar os alvos para o criminoso.Taschini saiu de São Paulo e foi até Presidente Prudente - nas penitenciárias da região está a maioria dos integrantes da cúpula da facção - para cumprir a ordem. Ele não sabia, porém, que seus passos eram seguidos pela Polícia Militar. O pistoleiro foi preso em um shopping center, pouco depois de chegar à cidade.A polícia agora tenta saber qual o motivo para a facção praticar um atentado contra os agentes - o pistoleiro devia usar uma motocicleta para atacar suas vítimas em um bar da cidade. A prisão do acusado era mantida em sigilo.Entre os funcionários que seriam alvo do crime organizado estão um diretor do Centro de Readaptação Penitenciária (CRP) de Presidente Bernardes, considerado o presídio mais rígido e o mais seguro do Estado, e outro diretor da Penitenciária 1 de Presidente Bernardes. Agentes das Penitenciárias 1 e 2 de Presidente Venceslau, onde estão os chefões do PCC, também seriam alvo. Segundo agentes prisionais, Taschini é foragido de um presídio de Junqueirópolis, no oeste de São Paulo, onde cumpria pena em regime semiaberto. Ele foi condenado por roubo.CELULAREm outra investigação, o Ministério Público Estadual (MPE) conseguiu a prisão em flagrante do agente prisional Kléber Gabriel. O acusado era monitorado desde 2008 sob suspeita de entregar telefones celulares a presos da cúpula do PCC na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau - cada aparelho seria vendido por R$ 25 mil.Kléber foi preso na sexta-feira por PMs, na frente da P-2 de Venceslau. Segundo a polícia, no carro dele havia três celulares. Em sua casa, os policiais militares acharam até cartas de presos do PCC. Uma delas seria de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, líder da facção. O agente negou envolvimento com o PCC, mas foi autuado em flagrante sob a acusação de formação de quadrilha.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.