Pistoleiro mata líder comunitário no Pará

O líder comunitário e administrador da Vila Itainópolis em Marabá, no sul do Pará, Antonio Arruda, de 59 anos, foi morto com dois tiros de pistola disparados à queima roupa na cabeça e no peito por um pistoleiro que fugiu sem deixar pistas. Uma neta e um filho da vítima também foram atingidos. O crime, segundo assentados e lavradores sem terra que vivem naquela comunidade, teria sido praticado como vingança pelo fato de Arruda ter denunciado em fevereiro à polícia que alguns proprietários de lotes estariam plantando maconha e praticando assaltos e homicídios no assentamento.Em apenas uma semana este foi o segundo assassinato de um líder comunitário na região. No sábado retrasado, a vítima foi o presidente da Central Única das Associações de Pequenos e Médios Produtores Rurais de Marabá e presidente do Assentamento da Vila Cupu, Jorge Luiz Ribeiro Machado, de 46 anos, morto de tocaia. Arruda, que era funcionário da prefeitura de Marabá, estava sentado na porta de sua casa chupando laranja, por volta das 22h do último sábado, quando um homem se aproximou e, sem nada dizer, efetuou os disparos. Ao ser baleado, ele estava com uma neta no colo, que também foi atingida. A menina Fabiana, de apenas um ano e seis meses, teve a perna amputada em razão do tiro que levou e cujo projétil ficou alojado no joelho. Um outro filho da vítima, Minervino Souza Neto, de 23 anos, também foi baleado, mas sem gravidade. O crime está sendo investigado pelo delegado João de Deus Damasceno. Segundo ele, Arruda era um homem sério e muito estimado na comunidade. Em fevereiro, ele esteve no 4º Batalhão da Polícia Militar denunciando que vinha recebendo ameaças de morte. Contou que além de estarem plantando maconha no assentamento, uma quadrilha de homicidas e assaltantes vinha agindo na área. Arruda apontou nomes, afirmando que todos residiam no assentamento. Entre os integrantes da quadrilha estaria uma policial civil de prenome Sandra, que teria jurado vingança. A PM, porém, de acordo com a vereadora de Marabá, Júlia Rosa, não tomou nenhuma providência.

Agencia Estado,

14 de abril de 2003 | 16h42

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