Pit Bull Clube diz que decreto de César Maia é ?cachorrada?

Para os associados do Pit Bull Clube do Brasil o decreto do prefeito César Maia, determinando que proprietários de cães considerados agressivos, façam uma apólice de seguro de R$ 100 mil a favor de terceiros, é uma grande "cachorrada". Essa reação dá idéia da polêmica que o decreto - que sequer foi editado - está causando . Se não for mais um "factóide" do prefeito do Rio, diz a presidente do Pit Bull Clube do Brasil, Renata Bitencourt, a entidade entrará com ação de inconstitucionalidade contra o decreto municipal, previsto para ser publicado no Diário Oficial ainda esta semana. A base da ação serão os artigos 5.º da Constituição Federal (violação do direito de propriedade) e 1º (todos são iguais perante a lei) e discriminação. De acordo com a advogada Mônica Grimaldi, do Pit Bull Clube, o Artigo 1º será evocado para proteger outras vítimas de cães que não sejam das raças estipuladas no decreto: apenas outras quatro raças estão incluídas no documento: rottweiler, doberman, bull terrier e fila brasileiro.Se o projeto é polêmico, também divide opiniões. O presidente do Rottweiler Clube, Marcos Manoel de Oliveira, entende que a decisão do prefeito está correta, levando em conta a falta de responsabilidade e ética de alguns criadores que ele classifica de fundo de quintal. O Rottweiler Clube, esclarece Oliveira, é especializado no aprimoramento da raça, por meio da disseminação de normas de procedimentos que devem ser adotados para que não haja deformações genéticas e de personalidade nos animais. "Ocorre que aqui no Rio a raça já está totalmente descaracterizada em função do cruzamento desordenado e irresponsável", afirma o criador, proprietário de dois animais, Dako e Herói.Por meio de sua assessoria, o prefeito reforço sua intenção de impor obrigações aos proprietários desses animais. "O decreto permite fiscalização mais eficaz e um risco maior para quem decide optar por esses tipos de animais". Além disso, Cesar Maia alega que está tentando adaptar para o Rio os procedimentos públicos da expansão do mercado e da opção por cães potencilamente perigosos.A discussão promete ser acalorada, levando em conta que considera o ponto de vista dos proprietários. A psicanalista Ana Maria Pires, por exemplo, lembra que os cães adquirem a personalidade do dono. Proprietária da cadela pit bull Mauí, de 10 anos, a psicanalista, aposentada de Furnas, garante que seu animal jamais lhe causou problema. Na sua avaliação, esse decreto é discriminatório. "O valor desse seguro é maior que o do meu. É importante lembrar que esta raça não gosta de bicho, mas se entende muito bem com gente", enfatiza.Fazendo coro com teorias dessa ordem, Oliveira, do Clube Rottweiler, diz que infelizmente existem muitas pessoas que fazem da criação de animais um meio de vida e pouco se interessam pela questão ética e de segurança. "Um cachorro desse tipo não come angu, nem arros e feijão, por exemplo. É preciso ter uma alimentação correta, que é cara. Nem todo mundo tem condições para isso", argumenta, justificando sua posição favorável ao decreto de César Maia. "Que essa não seja apenas mais uma lei. Mas que seja levada à sério", completa.

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