Pitta indicou bancos para cooperativas, diz ex-secretário

O ex-prefeito Celso Pitta (PTN) indicou bancos para que cooperativas do Plano de Atendimento à Saúde (PAS) constraíssem empréstimos nos dois primeiros anos de sua administração. A afirmação foi feita hoje pelo ex-secretário da Saúde, Massato Yokota, à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do PAS. Os empréstimos movimentaram cerca de R$ 60 milhões e foram feitos nos bancos Pine e Schahin - antigo Schahin Cury. Integrantes da CPI sustentam que, além de ter sido usada como garantia de pagamento dos débitos, a Prefeitura ainda arcou com os juros da dívida. A operação foi considerada irregular pelo Tribunal de Contas do Município (TCM).No depoimento, o ex-secretário da Saúde disse que foi contatado por Pitta para que os empréstimos fossem feitos no banco Schahin. Durante um intervalo, questionado por jornalistas sobre a indicação, Yokota reformulou a declaração e disse que o ex-prefeito falou "em bancos" que poderiam fazer o empréstimo. O nome do Schahin, segundo o ex-secretário, teria sido proposto pelo ex-secretário das Finanças José Antônio de Freitas. "Está cada vez mais claro o envolvimento da Prefeitura na operação", disse o presidente da comissão, Adriano Diogo (PT).Apesar de presidentes de cooperativas também já terem afirmado à comissão que a Prefeitura escolhia os bancos e determinava os empréstimos, tanto os banqueiros quanto Pitta negam que o poder público municipal tenha se envolvido diretamente na operação. "Vários bancos foram apontados às cooperativas para que os empréstimos fossem feitos, pois era a única maneira de manter o funcionamento do sistema", disse o ex-secretário da Comunicação Social Antenor Braido, referindo-se ao fato de a Prefeitura estar devendo, na época, quase R$ 150 milhões às cooperativas. "Mas todo o negócio foi feito entre cooperativa e banco", completou Braido.Dívida - A CPI que investiga o crescimento da dívida do Município ouve amanhã, pela segunda vez, o depoimento de Pitta. A comissão quer detalhes sobre a renegociação da dívida de R$ 10,5 bilhões feita com a União e assinada pelo ex-prefeito. O depoimento está marcado para as 18 horas. O ex-prefeito Paulo Maluf (PPB) também tem novo depoimento marcado na comissão: no dia 10.

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