Pivô do caso dos sanguessugas deu ônibus a governador

Segundo a PF, veículo foi doado pelos Vedoin à Clínica Santa Rita, de Macapá, pertencente a Pedro Paulo

Vannildo Mendes / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

18 de setembro de 2010 | 00h00

A empresa Planam, da família Vedoin, de Mato Grosso, pivô do escândalo dos sanguessugas, doou um ônibus de propina à Clínica Santa Rita, de Macapá, pertencente ao governador do Amapá, Pedro Paulo Dias (PP), preso na Operação Mãos Limpas, da Polícia Federal, e ao irmão dele, o deputado Benedito Dias, atual secretário especial do governo.

O veículo foi apreendido no final de 2009 pela Polícia Federal e está recolhido como mais uma prova na extensa ficha do governador amapaense, que esta semana teve sua prisão temporária prorrogada por mais cinco dias pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).

O relatório da investigação, ao qual o Estado teve acesso, revela que, após a eclosão do escândalo, em 2006, houve tentativa de ocultação do veículo, só localizado em novembro de 2009, em uma fazenda no interior do Pará.

O empresário Erik Jansen, um dos presos na operação Mãos Limpas, era assessor de Benedito e intermediou a aprovação de emendas para compra de ambulâncias da Planam por municípios amapaenses, em troca de propina. Jansen já havia sido preso nas Operações Pororoca e Sanguessuga, que desmantelou a máfia das ambulâncias, esquema de compra superfaturada de ambulância por prefeituras.

Emendas. Em depoimento à polícia, o empresário Luiz Antônio Vedoin declarou que, em 2001, realizou acordo com Benedito, a quem prometeu uma comissão sobre o valor das emendas que destinasse no Orçamento da União para a compra de ambulâncias. Em 2002, Benedito fez sua parte inserindo emendas do tipo aos municípios de Cutias, Mazagão, Santana e Itaubal. O veículo, segundo a Polícia Federal, foi parte da comissão.

Em outro trecho do inquérito, a Polícia Federal detalha o modus operandi do presidente do Tribunal de Contas do Amapá, José Júlio de Miranda Coelho, também preso na operação, para desviar recursos públicos.

Entre janeiro de 2005 e julho de 2007, ele fez saques irregulares da conta bancária do tribunal de R$ 7,5 milhões. Não há prestação de contas. A PF desconfia que o dinheiro foi engordar o patrimônio de Coelho e outros conselheiros do tribunal, todos nomeados por indicação política.

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