Placas de granito desabam de prédio no centro do RJ

A queda de seis placas de granito da cobertura de um prédio de 37 andares levou pânico à Avenida Rio Branco, coração financeiro da cidade. O acidente deixou pelo menos nove pessoas feridas e nove carros tiveram o vidro dianteiro quebrado por pedaços de pedra. O mensageiro de uma administradora, Álvaro Fabrício de Oliveira, de 69 anos, teve a cabeça e o pescoço cortados por estilhaços de vidro e foi levado para o hospital Souza Aguiar, no Centro. Os demais receberam os primeiros socorros no local e foram encaminhados para o mesmo hospital em carros da Defesa Civil do município. Por volta das 10h40, as lâminas de granito despencaram do terraço do prédio Século Frontin, número 181, bateram na marquise do 22º andar, onde funciona a administração do edifício, e se espatifaram no asfalto, atingindo em cheio as portas de vidro de uma agência do Bradesco. O barulho, segundo relatos de funcionários do banco e de pedestres, foi tão forte que parecia o da explosão de uma bomba. O prédio estremeceu.A agência do Bradesco, segundo um de seus funcionários, ainda não estava cheia na hora do acidente. O montador de móveis Franklin Nelson Paiva de Souza, que passava pelo outro lado da avenida, contou que, antes das placas se desprenderem, algumas pedras menores caíram, o que serviu de aviso. "Logo em seguida vieram os pedaços maiores. O barulho foi igual ao da explosão de uma bomba", disse. O assistente da administração do Século Frontin, Henrique de Souza Ribeiro, informou que uma vistoria já estava sendo realizada pela empresa Rotec Engenharia em uma das laterais do prédio. O mesmo seria feito na parte da frente. Segundo ele, o prédio é vistoriado anualmente. Ribeiro afirmou que a seguradora do edifício será acionada e que as pessoas que se sentirem lesadas serão indenizadas.O comandante da Defesa Civil , coronel João Carlos Mariano, que coordenou a equipe de socorro, disse que a administração do prédio será intimada pela Secretaria de Urbanismo e a Riotec para prestar esclarecimentos. O comandante observou que o serviço de vistoria pode ter sido contratado tarde demais. "A vistoria de um prédio como esse tem que ser feita pelos funcionários diariamente. É preciso verificar as condições dos elevadores, da parte elétrica e da própria estrutura do edifício", explicou. Mariano também observou que o fato de algumas pedras já terem se soltado no dia anterior, como contou Marcelo Mendes, jornaleiro há 15 anos em frente ao 181 da Rio Branco, exigiria a devida proteção em torno do prédio.Às 12h10, a Polícia Militar fechou o trânsito da Rio Branco, entre a Rua Almirante Barroso e o Largo da Carioca - que já estava interditado em meia pista -, por onde os veículos que seguiam em direção à Zona Sul foram obrigados a desviar. O engarrafamento, às 13h45, chegava à Avenida Brasil. Às 14h30 a Rio Branco voltou a funcionar em meia pista e toda área em torno do prédio 181 estava isolada. A orientação da Defesa Civil foi a de que o prédio somente voltasse a funcionar mediante a adoção de providências de segurança, como a colocação de uma rede.

Agencia Estado,

16 de abril de 2002 | 16h57

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