Planalto busca um técnico para Diretoria de Operações

Ideia é convencer Hélio Costa a tirar a proteção de seus apadrinhados na estatal e dar um verniz de 'desloteamento político'

Vera Rosa / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

22 de setembro de 2010 | 00h00

Para escapar do terreno minado nos Correios, o governo busca agora um técnico de carreira, e não um afilhado político, para ocupar o lugar do coronel Eduardo Artur Rodrigues Silva na Diretoria de Operações da estatal. Silva foi defenestrado após a descoberta de que era testa de ferro da empresa Master Top Linhas Aéreas (MTA), como revelou o Estado.

Por determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, conversou na noite de segunda-feira com seu colega das Comunicações, José Artur Filardi. Até agora, porém, o governo não encontrou um nome para substituir Silva.

Dois funcionários do quadro de carreira recusaram o convite, segundo apurou o Estado. Preocupado com o impacto da crise nos Correios na campanha de Dilma Rousseff (PT) à Presidência, Lula vai conversar novamente hoje com Bernardo, durante viagem a Curitiba (PR).

O presidente tirou o ministro do Planejamento das férias e deu a ele poder para atuar como uma espécie de interventor nos Correios. Ainda ontem, Bernardo encomendou à área técnica do Planejamento um diagnóstico dos Correios, para saber, por exemplo, qual é o número de funcionários, orçamento e organograma da empresa.

Em março de 2007, durante o caos aéreo, Bernardo também atuou como negociador para pôr fim à greve dos controladores de voo. A estatal virou foco de escândalos - muitos dos quais em conexão com a Casa Civil à época que Erenice Guerra era ministra - e Lula quer evitar ser surpreendido às vésperas da eleição.

Franquias. O presidente já foi informado de que, por causa do impasse para a renovação dos contratos de 1.402 agências franqueadas, cerca de 30 mil funcionários dos Correios podem ser dispensados, em todo o País.

Demissão em massa e nova crise nos Correios é tudo o que Lula não quer agora. A ideia é passar um verniz de "desloteamento político" na estatal e convencer o ex-ministro das Comunicações Hélio Costa - atual candidato do PMDB ao governo de Minas - a tirar a proteção de seus apadrinhados na empresa. Um deles é o diretor comercial, Ronaldo Takahashi, também ligado a Erenice, que é conhecido nos Correios como "diretor ministro". / COLABORARAM LU AIKO E KARLA MENDES

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