Planalto defende apuração de dossiê contra tucano

Tramitação do caso foi correta, diz Padilha, sobre análise de documentos que podem indicar ligação do senador Perillo com movimentação bancária em paraísos fiscais

Leonencio Nossa / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

14 de abril de 2010 | 00h00

O ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, defendeu ontem o processo de investigação do dossiê sobre supostas contas do senador tucano Marconi Perillo (GO) no exterior. "O governo, as instituições, tem mecanismos próprios para acompanhar qualquer denúncia", disse.

Em entrevista após encontro com líderes aliados, Padilha avaliou que a análise dos documentos que mostram uma possível movimentação bancária em paraísos fiscais de um dos mais ferrenhos adversários do governo teve tramitação correta e normal.

Reportagem publicada ontem pelo Estado informou que o líder do PR na Câmara, deputado Sandro Mabel (GO), havia falado com o chefe de gabinete da Presidência, Gilberto Carvalho, sobre as supostas contas do tucano em paraísos fiscais.

Padilha negou, no entanto, que o governo tenha usado a estrutura oficial para atacar o tucano. "De jeito nenhum. Esse governo não toma atitudes como essa em relação aos seus adversários nem em relação aos seus aliados", disse. "Esse é um governo que não utiliza os instrumentos do Estado para atacar adversários ou aproximar os aliados."

Sem prova. À noite, Gilberto Carvalho disse que Sandro Mabel se limitou a fazer um comentário das supostas contas de Perillo e não apresentou papéis. "Quero deixar bem claro para não ter dúvidas: se tivesse chegado alguma prova ao gabinete pessoal da Presidência eu teria obrigação de encaminhá-la para os órgãos competentes", declarou.

"Mas nunca chegou documento sobre esse caso, nenhum papel, ouvi apenas um comentário que não repassei adiante por falta de segurança e consistência. Não havia dados", acrescentou. "Não houve nenhuma recomendação ou orientação da Presidência para o Ministério da Justiça fazer qualquer tipo de procedimento."

Carvalho relatou que, após ler a reportagem sobre o caso, conversou com o ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, para pedir esclarecimentos. Barreto, segundo o chefe de gabinete de Lula, informou que abriu procedimento para investigar o dossiê e as supostas contas de Perillo a pedido do Ministério Público de Goiás. Carvalho evitou comentários sobre o conteúdo do dossiê.

Em entrevista à tarde, o presidente em exercício, José Alencar, disse que não tinha informações para esclarecer o caso do senador tucano. Os papéis que são analisados pelo Ministério da Justiça citam supostas movimentações de Perillo nos bancos Wachovia, UBS, Citibank, Credit Suisse e Bank of America.

Até 2005, Lula mantinha boa relação com Perillo, na época governador de Goiás. O rompimento surgiu durante o escândalo do mensalão, naquele ano, quando o tucano deu entrevistas afirmando que tinha falado com o presidente sobre um esquema pagamento a parlamentares em troca de apoio a projetos do governo. Lula interpretou as investidas de Perillo como oportunismo.

PARA ENTENDER

Envolvidos são rivais em GO

Marconi Perillo (PSDB) e Sandro Mabel (PR) são antigos adversários políticos em Goiás. Perillo, hoje senador, foi governador do Estado por dois mandatos. Mabel está no terceiro mandato na Câmara, onde é líder do PR. O embate mais polêmico entre eles foi no caso do mensalão, em 2005. Perillo confirmou as declarações da deputada tucana, Raquel Teixeira, que contou ter sido convidada para participar do esquema. Os tucanos apontaram Mabel como o negociador do esquema. Apesar das acusações, Mabel negou o esquema e foi absolvido.

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