Planalto oficializa a correção de 4,5% do IR para frear centrais

Governo vai alterar, via MP, a tabela que define os valores do imposto, mas sindicalistas querem ampliar o percentual

Leonencio Nossa, O Estado de S.Paulo

25 de fevereiro de 2011 | 00h00

Diante do risco de uma nova queda de braço com as centrais sindicais, o Planalto decidiu acelerar o envio ao Congresso de uma medida provisória para corrigir em 4,5% a tabela do Imposto de Renda (IR).

Logo após a aprovação da proposta do governo de um salário mínimo de R$ 545, no Senado, na noite de anteontem, a presidente Dilma Rousseff determinou ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, elaborar o mais rápido possível o projeto da correção da tabela, para evitar que ganhe força o movimento dos sindicalistas por um percentual maior.

Em entrevista realizada na tarde de ontem no Planalto, o ministro de Relações Institucionais, Luiz Sérgio, disse que a MP da correção da tabela do Imposto de Renda será enviada possivelmente no início da próxima semana. Questionado se o governo não teme um novo embate com as centrais sindicais, Luiz Sérgio disse que o Planalto fez um acordo com os sindicalistas em relação ao tema e vai cumprir o que foi estabelecido, ou seja, os 4,5% de correção. Ele afirmou que a proposta definindo a correção será feita por meio de medida provisória, com o objetivo de garantir que a mudança tenha efeito imediato.

Na entrevista, o ministro Luiz Sérgio disse que a presidente Dilma ficou satisfeita com a aprovação, no Senado, da proposta do salário mínimo. Ele afirmou que o governo não trabalha com a perspectiva de punir cinco senadores da base aliada que votaram contra.

"Estamos satisfeitos porque a grande maioria da base aliada atendeu ao pedido do governo. Esses casos pontuais de dissidência são problemas dos partidos e não do governo", afirmou. Luiz Sérgio voltou a dizer, como nas últimas semanas, que o Planalto não fez barganha para garantir a aprovação do salário mínimo de R$ 545 na Câmara e no Senado.

A uma pergunta sobre se peemedebistas sem cargos, como o ex-ministro de Integração Nacional Geddel Vieira Lima, o ex-prefeito de Goiânia Iris Rezende e o ex-governador da Paraíba José Maranhão, tinham data para assumir postos no segundo escalão federal, ele respondeu: "Isso não tem data para começar. É um processo natural. Não há vinculação entre a aprovação do salário mínimo e a composição do governo".

O ministro Luiz Sérgio aproveitou para tentar desvincular o Planalto das ações de líderes aliados de criar um novo imposto para garantir recursos para a área da saúde. Ele disse que o líder do governo na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), não está falando pelo governo.

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