Celso Junior/AE
Celso Junior/AE

Planalto põe freio em ''fogo amigo'' e segura Ana

Em reunião no MinC, Gilberto Carvalho pede ''coesão'' da equipe e fortalece ministra

Leandro Colon / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

12 de maio de 2011 | 00h00

Para tentar estancar sua primeira crise ministerial, a presidente Dilma Rousseff enquadrou a cúpula do Ministério da Cultura para acabar com o "fogo amigo" de petistas contra a ministra Ana de Hollanda e tentar fortalecê-la no cargo. A pedido de Dilma, o secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, reuniu-se ontem por duas horas com a ministra, assessores especiais da pasta e dirigentes de entidades ligadas ao ministério.

Carvalho pediu "coesão" em torno de Ana de Hollanda, que enfrenta uma crise política no ministério, e defendeu a "transparência" dentro da pasta.

Foi o primeiro movimento do Palácio do Planalto para, externamente, mostrar que a ministra está prestigiada e tentar neutralizar os ataques contra ela. "Quando bate uma crise dessa, se a equipe não se junta, gera insegurança. Pedi que haja uma coesão enérgica", disse Carvalho ao Estado após o encontro.

Na entrevista, ele adotou um discurso de recado aos adversários de Ana de Hollanda: "Vai quebrar a cara quem tentar desestabilizar a ministra. O governo está fechado com ela. Não há hipótese de substituição. A ministra não pode se intimidar". Para ele, a ministra é vítima de uma "orquestração sórdida" para retirá-la do cargo.

A reunião de emergência foi realizada em Brasília um dia depois de Ana deixar sob escolta policial um debate com o setor cultural na Assembleia Legislativa de São Paulo. A imagem foi considera ruim pela cúpula do governo. As cenas ocorreram no dia seguinte à decisão da Controladoria-Geral da União (CGU) de pedir à ministra a devolução de diárias recebidas por dias de folga no Rio, episódio revelado pelo Estado no domingo.

No encontro de ontem, Ana disse a Gilberto Carvalho que devolveu os recursos. "Isso já está resolvido", afirmou o secretário-geral da Presidência. Defendeu-se na reunião que o ministério vai encampar o discurso de que o governo está aberto ao diálogo sobre os direitos autorais - e deve enviar o novo projeto ao Congresso até junho.

As diferenças começaram depois de Ana de Hollanda ter afirmado que poderia abortar a proposta, que veio da gestão anterior. A tensão aumentou quando a ministra sinalizou apoio ao Escritório Central de Arrecadação de Direitos (Ecad). Setores do mundo artístico, incluindo membros do PT, têm atacado a postura de Ana em relação aos direitos autorais, à retirada do site do ministério do selo "Creative Commons" e outros assuntos.

Numa resposta ao Planalto, os assessores da ministra, secretários e dirigentes de entidades divulgaram nota de apoio à sua gestão. O encontro de ontem foi encarado como o pontapé inicial para estancar a crise.

Apoio em casa. Irmã da ministra da Cultura, Ana de Hollanda, a cantora Miúcha saiu ontem em sua defesa. "A quem interessa tirar a Ana? Quem eles querem no lugar? Muitos ficaram frustrados quando ela foi escolhida. Tem gente que adora derrubar, acha que vai atingir o Chico através disso... A internet permite que, protegidas pelo anonimato, as pessoas digam as coisas mais loucas", afirmou ela ao Estado.

Miúcha contou que, assim como seu irmão Chico, tem observado à distância a turbulência que Ana vem enfrentando, por sua posição sobre Lei dos Direitos Autorais e pela cobrança de dias de folga no Rio. "Praticamente chamaram Baía (apelido de Ana na família) de ladra. Não existe tradição de ladras nessa família." / COLABOROU ROBERTA PENNAFORT

Contra-ataque

Dirigentes do MinC divulgaram carta em que manifestam apoio a Ana de Holanda e denunciam ataques dos "que insistem em não reconhecer as ações" da pasta.

Questão fechada

GILBERTO CARVALHO

SECRETÁRIO-GERAL DA PRESIDÊNCIA

"Vai quebrar a cara quem tentar desestabilizar a ministra. O governo está fechado com ela. Não há hipótese de substituição. A ministra não pode se intimidar"

"Quando bate uma crise dessa, se a equipe não se junta, gera insegurança"

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