Planalto quer conter Paim para garantir mínimo no Senado

Governo não pretende dar ao petista gaúcho chance de retomar, no debate, a discussão do fator previdenciário

Rosa Costa / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

19 de fevereiro de 2011 | 00h00

O governo vai tentar convencer o senador Paulo Paim a desistir de sua campanha contra a proposta que reajusta o salário mínimo para R$ 545. O Planalto não teme apenas que a posição de Paim influencie outros senadores da base aliada nessa votação. A maior preocupação é que o senador gaúcho, único dissidente da bancada do PT, queira aproveitar o debate sobre o salário mínimo para também tentar acabar com o fator previdenciário, que condiciona a aposentadoria do INSS à idade do trabalhador.

Ao contrário dos que rejeitam a fixação de uma idade limite para aposentadoria pelo Regime Geral da Previdência, o senador alega que isso já é feito pelo mecanismo do fator e "de forma injusta e cruel".

"Quem ganha R$ 3,5 mil só pode se aposentar com R$ 1,8 ou R$ 2 mil, no máximo, devido ao fator previdenciário", critica o senador.

O ministro da Previdência Social, Garibaldi Alves, já se manifestou favoravelmente ao fim do fator previdenciário, mas reconhece que dificilmente o assunto será tratado este ano.

Depois da vitória expressiva obtida na Câmara, o governo quer evitar que a discussão no Senado sobre o mínimo se transforme num problema. Na prática, o governo sabe que se alguma alteração for feita pelos senadores, o projeto terá que ser rediscutido.

O governo quer, além do mais, encerrar definitivamente essa discussão. Embora tenha sido aprovado por larga margem de votos, o projeto do mínimo abriu várias frentes de atrito entre o Palácio do Planalto e a base aliada. O PDT viu, por exemplo, o cargo do ministro do Trabalho, Carlos Lupi, ser colocado em risco, uma vez que o partido comandou a maior parte da dissidência na Câmara.

Além disso, o governo precisou se desgastar na relação com as centrais sindicais, que defendiam um valor maior de reajuste. Para conter essa pressão, foi escalado como relator o deputado Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho (PT-SP), ex-presidente da CUT e ligado diretamente ao movimento sindical.

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