Planetário de São Paulo ainda espera obras de restauração

Ainda sem rumo, o Planetário Municipal de São Paulo continua à espera das obras de restauração para que volte a exibir seus espetáculos, depois de dois anos e sete meses fechado. Estudantes ou freqüentadores do Parque do Ibirapuera terão de esperar muito mais para poder visitá-lo. O cenário, porém, melhorou um pouco. Um projeto cultural da Fundação Roberto Marinho pode ajudar na recuperação do Planetário. Em fase inicial, a idéia é levantar os equipamentos do Planetário que podem ser utilizados e o que é preciso comprar e quanto será gasto. Tudo será pensado de modo a adaptar o local às necessidades modernas. O documento já está no Ministério da Cultura e tem como base a Lei Rouanet para futura captação de recursos. "O empreendedor ganhará duplamente, se patrocinar uma obra assim: visibilidade e isenção impostos", diz a secretária municipal do Meio Ambiente, Stela Goldenstein. "Estou torcendo para que seja aprovado logo, assim partirmos em busca do dinheiro." Segundo Stela, a restauração do Planetário está em "bom andamento". Para sair realmente do lugar depende, porém, da burocracia dos processos de licitação que vão contratar uma empresa de arquitetura para fazer o projeto estrutural. O resultado da segunda licitação, divulgado na semana passada - a primeira foi impugnada - foi contestado por dois concorrentes e o vencedor tem até amanhã para se defender. Depois, serão alguns dias para o setor técnico da secretaria analisar os argumentos de todos e enviar parecer ao departamento jurídico, que decidirá o resultado da licitação. Então, é preciso esperar. Mas, em breve, a secretaria deve abrir também licitação para a reforma da Escola de Astrofísica, que fica do lado do Planetário. Depois de prontos os projetos, ainda é preciso encontrar os parceiros dispostos a patrocinar as obras, pois a Prefeitura só tem parte deles. A secretária garante que há uma parcela do dinheiro para a reforma. São R$ 900 mil disponíveis; cerca de R$ 240 mil vão para os projetos e o restante ajudará nas obras. Autor - A Associação dos Amigos do Planetário e o arquiteto Roberto Tibau, único dos autores do projeto original da edificação que ainda está vivo, estão insatisfeitos. Eles acham que o arquiteto deveria chefiar o projeto de restauro do Planetário. O presidente da associação, Francisco Conte, argumenta que seria mais fácil Tibau fazer intervenções e até convencer os órgãos de defesa do patrimônio histórico da necessidade delas. É que, segundo a Lei 4950/66, de responsabilidade e autoria, bens tombados, como o Planetário, só podem ser alterados por quem os projetou. Mas Stela diz que não estão previstas mudanças no projeto, por isso não seria necessário contratá-lo. Convidado a fazer consultoria em pequenas adaptações, ele não sabe se aceitará. "Me considero em plenas condições", diz Tibau, de 77 anos. O Planetário foi sua obra mais significativa. Apesar de torcer por ele, a associação só espera que o Planetário, de 45 anos, volte a funcionar bem

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