Planilha trata de ''cargos de confiança na Câmara''

Documento apreendido trata de cargos, sustenta ex-secretário da Câmara,[br]que admite autoria das anotações

Leandro Cólon, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

18 de março de 2010 | 00h00

Em nota, Gustavo Adolfo Moreira Marques, ex-secretário geral da Mesa Diretora da Câmara Legislativa, afirma que um dos papéis em posse da Polícia Federal, recolhido na casa de Leonardo Prudente, é de autoria dele, e trata da composição de cargos de confiança na Casa, e não sobre distribuição de propina.

A lista, segundo Marques, foi entregue a Prudente e os nomes corresponderiam aos dos deputados Milton Barbosa (PSDB), Jaqueline Roriz (PSC), Rogério Ulysses (sem partido, ex-PSB), Raimundo Ribeiro (PSDB), Eurides Brito (PMDB) e Benedito Domingos (PP). O valor de "mais ou menos" R$ 12 mil seria relativo a Cargo de Natureza Especial (CNE-02), com rendimentos de R$ 12.751,20, a que cada deputado tinha direito de preencher na Câmara.

Os deputados Milton Barbosa, Eurides Brito e Raimundo Ribeiro divulgaram nota informando o nome dos servidores que teriam sido contratados para as vagas. Os três negam envolvimento com o "mensalão do DEM". "Tais notícias infundadas só reforçam o meu entendimento de que realmente a nossa atuação como parlamentar tem incomodado muitas pessoas poderosas, mas estes podem ter certeza de que não me intimidarei com nenhuma ameaça", afirma Ribeiro.

A assessoria de imprensa da deputada distrital Jaqueline Roriz (PMN) também confirma a explicação dada por Gustavo. Segundo a assessoria da deputada, a planilha em que aparece o nome de Jaqueline, filha do ex-governador Joaquim Roriz, foi apreendida na sala da Presidência da Câmara Legislativa, "justamente por se tratar de um documento referente à composição de cargos de confiança da Casa".

O ex-secretário geral enviou declaração escrita para os seis distritais que aparecem nessa planilha, assumindo a responsabilidade pelos "dados lançados em lista apreendida em poder do ex-presidente da aludida Casa Legislativa".

Na declaração enviada para Jaqueline Roriz, Gustavo diz que os dados "foram por mim fornecidos ao então presidente da Câmara Legislativa Leonardo Prudente, visando equilibrar a distribuição de cargos entre os parlamentares".

A assessoria do deputado Rogério Ulysses (sem partido) disse saber da existência da planilha apreendida na Presidência da Casa. Mas não confirma que o "Rogério" que aparece seja referente a ele. "Todo mundo sabe que há vários Rogérios. Rogério é muito vago. Lá não está escrito Rogério Ulysses", afirmou a assessoria do deputado.

O deputado Rôney Nemer (PMDB) disse que as iniciais das planilhas não se referem a ele. "Se a planilha é de Lamoglia por que é que o Durval é quem traduz os dados? Estamos diante de uma leviandade", disse o deputado. "Há mais gente no governo que tem as mesmas iniciais, mas eu não vou ficar sujando o nome dessas pessoas. Não há nada nos autos que me envolva em esquemas algum", acrescentou.

As iniciais de quatro pessoas aparecem em outra planilha, na qual os valores estão apagados. Segundo depoimento de Durval Barbosa à procuradoria, seriam referentes a Paulo Roxo, Renato Malcotti, Fábio Simão e Eustáquio Oliveira.

Paulo Roxo negou seu envolvimento. "Nunca fui operador de esquema algum, desconheço essa história de planilha e não tenho nada a declarar sobre as acusações desse senhor'', disse. Publicitário, Roxo é apontado por Durval desde o início como um dos captadores de recursos para Arruda, supostamente cobrando propina das empresas com contratos junto ao GDF.

Malcotti também negou ter participado de qualquer esquema. "Não tenho nada a declarar sobre essas planilhas''. Fábio Simão, ex-chefe de gabinete de Arruda, não respondeu às ligações. Tesoureiro da campanha de Arruda, Eustáquio Oliveira também não deu retorno. O Estado não localizou ontem os demais citados. .

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