Plano aumenta salário de policiais e agrada Beltrame

O secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, teve sua principal expectativa contemplada pelo Programa Nacional de Segurança com Cidadania (Pronasci), apresentado pelo Ministério da Justiça nesta segunda-feira, 9, ao presidente Lula. Em entrevista ao Estado na semana passada, o secretário afirmou que a maior contribuição que o chamado PAC da Segurança pode dar ao combate à violência seria ajudar os Estados a remunerar melhor os policiais. O pacote prevê a criação de um fundo para estabelecer um piso salarial de cerca de R$ 1.500 para policiais civis e militares de todo o País. "O que eu acho que a União poderia fazer é estabelecer um piso salarial, tanto para a Polícia Civil como para a Polícia Militar, no Brasil inteiro. Acho que deveria botar, hipoteticamente, R$ 1.500. Se em Alagoas o policial ganha R$ 1.200, o governo recebe mais R$ 300. Se aqui ganha R$ 800, recebemos mais R$ 700. E o Estado fica fazendo a diferença entre cabo, agente de primeira e segunda", afirmou o secretário, acertando o piso pretendido pelo plano. Na semana passada, Beltrame tinha dúvidas de que a medida seria contemplada. Para o secretário, que enfrenta um movimento grevista de policiais civis (cujo ganho médio é de R$ 1.200) e a insatisfação de policiais militares (cujo soldo mais baixo é de pouco mais de R$ 800), o aumento dos rendimentos dos agentes serviria de motivação para o desafio do combater o tráfico de drogas no Rio. A medida também ajudaria o governo fluminense, que não tem recursos para reajustes este ano, a aumentar o efetivo da Polícia Militar. "Seria fantástico. Eu digo que se nós tivermos um efetivo das polícias com um número bom e um salário razoável, o Rio de Janeiro dá uma marcha-à-ré (no avanço da criminalidade) de uma maneira rápida", afirmou o secretário. Em seu trabalho de convencimento da sociedade de que sua política de enfrentamento dos traficantes, em especial os do Complexo do Alemão (zona norte), é o caminho para baixar os índices de criminalidade no Rio, o secretário foi ontem o convidado do primeiro jantar-debate do Grupo de Líderes Empresariais do Rio (Lide-Rio). Ele faria uma palestra sobre a política de segurança do Rio, contestada por militantes de defesa dos direitos humanos por causa do risco que os embates trazem para a população civil. Apesar das críticas, o secretário vem experimentando crescente popularidade. Além de e-mails de apoio que diz ter recebido até de brasileiros no exterior após a megaoperação no fim de junho que levou 1.300 policiais ao Alemão, o secretário foi surpreendido, no fim de semana, com uma salva de palmas quando foi assistir ao show da cantora Marisa Monte numa casa de shows da zona sul. "Não me emociono com isso. Não podemos nos deixar levar pelo entusiasmo de momento. Até porque não há nada para se comemorar em segurança pública numa cidade como o Rio. Temos que agradecer o apoio da população e continuar o trabalho", disse nesta segunda o secretário.

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